As rimas se desfazem no ar,
o que permanece são dois corpos
enlaçando-se sobre o lençol,
não mais cobertos,
só a sensualidade respirando por conta própria
e o desejo esticando-se como fogo que sobe
pelas coxas,
pelo ventre,
até queimar a garganta.
No intervalo entre um suspiro
e o que vem depois,
o toque se prolonga,
provoca tontura,
e o dedo que desce
não perdoa.
Cada movimento teu desmancha a noite,
torna o presente mais pesado,
mais denso,
há pouca luz
e a pele fala inteira:
oferta, exige, geme.
Os olhos retêm o que a boca não pronuncia,
mas a boca não fala,
ela chupa,
morde,
desce.
A entrega acontece sem esforço,
as pernas se abrem,
o tempo hesita,
contempla o choque de dois corpos
que não se abraçam,
se penetram,
se perdem.
Nesse abraço que queima
e também protege,
cada gesto pesa
como uma verdade dita em voz baixa:
eu sou tua,
tu és meu,
e o escuro escreve
com os nossos próprios limites
a maneira mais crua
e viva
de arder.

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