TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quarta-feira, 26 de agosto de 2026

DESNUDA MINHA ALMA



Desnuda minha alma com cada beijo,
Não a deixes angustiada, sem desejo,
Percorre suas partes, dispersas no ar,
Com ternura e calma, vem me encontrar.

Desnuda minha alma, inquieta e errante,
Bordeando a espuma da onda, vibrante,
Adormecida docemente em teu aroma,
Que traz paz ao ser, que em ti se toma.

Desnuda minha alma com teu olhar,
Embalsama meu ser, faz meu coração amar,
Rega com teu suor, caloroso e lindo,
E em cada gota, sinto o amor fluindo.

Desnuda minha alma ao chegar a primavera,
Detém o inverno, a luz tão sincera,
Enquanto o outono cobre campos de ouro,
Deixa a estação brotar, em doce aporo.

Desnuda minha alma, deixa voar as borboletas,
Em liberdade, em silêncio, sem regras obsoletas,
Simplesmente, sem medo, sem medidas,
Deixemos fluir nossas vidas unidas.

Desnuda minha alma, nada tens a temer,
Distanciando a dor, sem nada a perder,
E a noite avança, total entrega ao amor,
Alma que anseia, tocar o céu com fervor.

Desnuda minha alma, nela estás a brilhar,
Criando furacões, vendavais no ar;
Para de sangrar, se ainda assim deliras,
Pois a maré muda, e o amor se admira.




  Cléia Fialho

terça-feira, 25 de agosto de 2026

PLUMAS DO SENTIMENTO



Doce chama que acende a alma inteira
Vem do peito que guarda o absinto
Onde o desejo em ritmos de aquarela
Desenha o mapa do que logo sinto.

Um verso brilha em busca da beleza
Mistura o beijo a plumas do sentimento
Vou navegando em águas de pureza
Levado pelo sopro do pensamento.

Deixo que a mão percorra a linha clara
Onde a luxúria repousa seu encanto
A paixão que a mente assim declara
É canto puro que dispensa o pranto.

A alma busca o néctar na ternura
Escrito em letras de uma luz singela
Toda essa rima vive na aventura
De ver no mundo a vida mais bela.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

DESEJOS DESENHADOS NA PELE



Na brisa suave onde dançam os corpos  
a luz do entardecer desenha sussurros,  
pétalas de línguas encontram-se,  
o toque é um poema escrito ao acaso,  
versos secretos que ardem em chamas.  

Olhos que falam em mudo delírio,  
a carne respira em sinfonia viva,  
mãos que deslizam como sombras,  
trilhos de desejos desenhados na pele,  
o coração em uníssono, pulsante.  

Cores vermelhas sob a luz da lua,  
onde o amor se veste de alquimia,  
cada gesto uma nota, cada suspiro,  
um compasso de rimas ocultas,  
enquanto a noite se abre em flor.   

O tempo é um poeta que arrisca,  
escreve as histórias de nós dois,  
o primeiro encontro, o calor subindo,  
a espera que se dissolve em passos,  
na promessa eterna dos amantes.  

Assim, na penumbra dos nossos sonhos,  
na fragância da pele que se entrelaça,  
a poesia em nós flui e resplandece,  
celebrando a beleza do instante,  
um canto de amor que nunca se acaba.




  Cléia Fialho

domingo, 23 de agosto de 2026

TRAÇOS DA ANATOMIA



O galã veste o tom de um puro zelo
Onde o desejo em versos se derrama
Na chama que consome o cinzelo
E na brandura desta doce flama.

Busco a luz do olhar que me consome
Pintando o fogo em traços da anatomia
Sinto no peito o eco desse nome
Que acorda em mim a insana euforia.

Beijo o papel com ânsia de quem ama
Sentindo a vida em rimas de veludo
Tudo se entrega ao brilho desta chama
Fazendo o silêncio ficar mais mudo.

São gestos de alma em plena liberdade
Colorindo o tempo em tons de quentura
Na busca enfim de eterna sagacidade
Que faz da escrita a mais fiel ventura.




  Cléia Fialho

sábado, 22 de agosto de 2026

QUE DELÍCIA É O PRAZER



Em noites de sombras e suspiros
teus lábios desenham meu destino,  
como brisa sussurrante  
que acaricia a pele da lua.  

O corpo nu, esse verso  
escrito pela luz do desejo,  
dança entre nossos sussurros.

Mãos que deslizam em relevo,  
atecem os sonhos,  
frágil linha entre o querer e o ser.  
Teus olhos, labirintos  
onde me perco,  
espelhos da nossa entrega.

E, que delícia é o prazer  
de um toque furtivo,  
no silêncio em que o mundo se despede.  
Nossos corpos, poesia viva,  
versos entrelaçados,  
outras línguas que falamos no entardecer.

A alma clama,  
em noites cujo perfume é  
a promessa de um amanhã,  
onde cada ato é um verso,  
cada olhar um poema,  
a eternidade do agora.  

Amor, pura arte  
que se escreve em cada respiração,  
flor que brota na intimidade,  
nosso jardim secreto,  
onde a poesia erótica floresce  
em cada esquina do coração
em cada curva do nosso corpo
em cada libido da nossa paixão.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

TRAÇAR COM A LÍNGUA MIL ESPAÇOS



Quero teu gosto em minhas veias,
tua pele a me queimar,
Teu olhar que enfeitiça,
o meu prazer a se revelar.

Quero o sussurro das tuas horas,
a urgência do teu querer,
onde o mundo fica lá fora
e só existe o nosso florescer.

Quero perder-me nos teus braços,
ser labirinto — ser teu cais,
traçar com a língua mil espaços,
em nós, o tempo não volta atrás.

Quero o ritmo dos teus sentidos,
a febre que o toque traz,
em teus mistérios mais escondidos,
encontro, enfim, a minha paz.

Quero que a noite se curve ao nosso elo,
que a respiração se torne uma só,
neste desejo, tão nosso e tão belo,
onde a alma se entrega e dá um nó.




  Cléia Fialho