TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

EM VERTENTES DE PRAZER



Me lanço ao ímpeto ardente,  
corpo que pulsa em ondas de vertigem,  
lábios acesos, 
brasas que devoram o silêncio,  
na pele, 
o calor se expande em labaredas.  

O desejo é tempestade sem margens,  
correnteza que arrasta, 
que rasga, 
que consome,  
um rio de delírios que não conhece repouso,  
onde cada toque é incêndio, cada sopro é vertigem.  

Na dança febril das estrelas,  
meu canto se abre em vertentes de prazer,  
versos que se erguem como chamas indomáveis,  
envolvendo o universo em formas voluptuosas.  

Sou chama, 
sou vento, 
sou carne entregue,  
sou o instante que arde sem retorno,  
sou o grito que explode em luz,  
sou o infinito que se curva ao êxtase.  




  Cléia Fialho

terça-feira, 1 de setembro de 2026

SOMOS CINZA E FAÍSCA



Teu hálito queima o ar que me despe  
A língua traça mapas úmidos na curva do meu quadril.  
Cada suspiro rasga o véu da noite calada.  
E eu gemo teu nome em carne e sal febril.

Tuas mãos são garras que colhem meu mel.  
Açoitam a pele, 
inventam delírios na espinha.  
O suor escorre, 
rio que invade o céu.  
E a cama é um altar onde a carne se avinha.  

Meu colo te chama em ondas de vulcão.  
Teus dentes mordema fruta que ainda não cai.  
Encaixo-me em ti como espada em seu chão.  
E o prazer é um grito.

Selvagem, 
me devoras em cada poro aberto.  
O vento uiva, 
mas é surdo ao nosso enredo.  
Nossos corpos colidem num caos quase certo.  
E o fim é só o começo de outro segredo.

Arranha-me, 
bebe-me até o osso nu.  
Como verso molhado e sem pudor.  
No fim, 
somos cinza e faísca.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

VENTOS DO DESEJO



Me entrego aos ventos do desejo sem freios,  
com a pele aberta à fome da noite.  
Teu corpo me chama em silêncio ardente,  
e eu vou, 
inteira, 
ao encontro da tua chama.  

Os lábios encontram a pressa do fogo,  
a respiração se quebra em calor e vertigem.  
Há um universo pulsando entre nós,  
feito de pele, 
delírio e entrega.

Na dança das estrelas, 
meus versos se desnudam,  
escorrem pela tua cintura,  
se acendem no avesso da carne,  
se perdem no rumor intenso do toque.  

Tudo em ti se torna promessa viva,  
tudo em mim se curva ao teu sabor.  
E a noite, 
rendida, 
guarda nosso segredo  
como se o prazer fosse sempre infinito.




  Cléia Fialho

domingo, 30 de agosto de 2026

AFOGAMENTO EM VOSSAS CURVAS



O pulso dispara num tropel de febre,
Sinto a carne em combustão, 
desgovernada,
Quando entrelaças tuas pernas em abrigo,
Envolvendo meu ser num laço de desejo,
Uma âncora que ancora 
o mar de minha volúpia.

Desces, 
desces pelo meu corpo com a suavidade
De uma brisa que incendeia, 
que arrepia,
Traçando mapas sobre a geografia do prazer,
Onde a respiração se perde em gemidos,
Teus coxas nuas encontram a verdade.

A verdade despida, 
crua, 
em êxtase profundo,
Onde nossos corpos se fundem na urgência,
Do toque que queima, 
do gozo que transborda,
Neste embate voraz que suspende o tempo,
Que rasga a alma em mil pedaços de luxúria.

E mergulhamos, 
famintos, 
no abismo do sentir,
Onde só resta o calor da nossa entrega,
Deixando o mundo lá fora, 
esquecido e mudo.




  Cléia Fialho

sábado, 29 de agosto de 2026

SINFONIA DO PRAZER



Tua língua repousa, 
um artista em cena,  
perdendo-se na morada úmida,
onde o desejo se acena.  
Meus lábios, 
portais de uma paixão ardente,  
te oferecem beijos, 
um convite, um presente.  

Tua língua dança, 
enlouquecida,  
a cada toque, 
a cada investida,  
lampeja como fogo, 
molha como o mar,  
despertando gemidos 
que começam a soar.  

O prazer profundo,
um eco no ar,  
nossas almas se entrelaçam, 
prontas para voar.  
Na intensidade do momento, 
o tempo se esvai,  
cada suspiro, 
um verso, 
que o amor traz.  

Teu corpo é um templo, 
um campo de batalha,  
onde a luxúria 
e a entrega se espalha.  
No calor da entrega, 
nos perdemos,  
na sinfonia do prazer,
 e juntos, 
renascemos.  




  Cléia Fialho

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ECOS NA PAREDE



Nas paredes ecoam memórias sonhadas
como perfumes que pairam ao amanhecer —
mas não é flor que exalo agora,
é o rastro denso do teu pescoço
aindo impregnado nos lençóis,
o odor de nós dois
misturado ao suor da madrugada.

Teu sorriso é poema em linhas traçadas,
e eu leio cada curva com a língua,
desvendando versos não escritos
no mapa ascendente do teu peito
até o abismo que pulsa entre as tuas coxas,
onde a língua mergulha
e a respiração falha.

O meu coração pulsa, procura entender —
mas entender é coisa da mente,
e o corpo já sabe:
o que pulsa aqui além da vida,
é vontade de ser preenchida,
de ser rasgada em suaves camadas,
de sentir tua língua fazer liturgia
onde ninguém mais tocou.

As paredes não esquecem.
Elas guardam o som
do teu nome arrancado da garganta,
do embate da carne,
do gemido que racha o ar
como vidro sob a língua,
o estalo da pele contra pele,
o umedecido da chegada.

Amanhecer?
Deixa que o sol espere.
Aqui dentro só existe noite,
e o perfume que nos invade
é de pele contra pele,
de dedo que insiste,
desliza — penetra,
de boca que não pede,
que toma — que devora.

Memórias sonhadas?
Não, amor.
Isto é corpo acordado,
ardendo em cada esquina,
molhado — aberto,
implorando mais,
e mais — e mais.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

DESNUDA MINHA ALMA



Desnuda minha alma com cada beijo,
Não a deixes angustiada, sem desejo,
Percorre suas partes, dispersas no ar,
Com ternura e calma, vem me encontrar.

Desnuda minha alma, inquieta e errante,
Bordeando a espuma da onda, vibrante,
Adormecida docemente em teu aroma,
Que traz paz ao ser, que em ti se toma.

Desnuda minha alma com teu olhar,
Embalsama meu ser, faz meu coração amar,
Rega com teu suor, caloroso e lindo,
E em cada gota, sinto o amor fluindo.

Desnuda minha alma ao chegar a primavera,
Detém o inverno, a luz tão sincera,
Enquanto o outono cobre campos de ouro,
Deixa a estação brotar, em doce aporo.

Desnuda minha alma, deixa voar as borboletas,
Em liberdade, em silêncio, sem regras obsoletas,
Simplesmente, sem medo, sem medidas,
Deixemos fluir nossas vidas unidas.

Desnuda minha alma, nada tens a temer,
Distanciando a dor, sem nada a perder,
E a noite avança, total entrega ao amor,
Alma que anseia, tocar o céu com fervor.

Desnuda minha alma, nela estás a brilhar,
Criando furacões, vendavais no ar;
Para de sangrar, se ainda assim deliras,
Pois a maré muda, e o amor se admira.




  Cléia Fialho