Meu fascínio sempre foi por homens maduros, casados, aqueles que carregam no olhar segredos e culpas. Há algo neles que me atiça, talvez porque cada transa tenha sido gratificante, intensa, marcada por uma fome que não se encontra em corpos jovens.
Naquela noite, escolhi meu alvo. Ele estava sozinho, sentado no carro à beira da praia, olhando o mar como quem buscava respostas. Eu me aproximei com passos lentos, o vestido curto colado à pele, e sorri com malícia. Bastou um olhar para que o jogo começasse.
Entrei no carro sem pedir licença. O cheiro de sal misturava-se ao perfume masculino, e a tensão era palpável. Toquei sua coxa, senti o músculo firme, e percebi o arrepio imediato. Ele tentou resistir, mas sua respiração denunciava o desejo.
Minha boca encontrou a dele, quente, urgente, e nossas línguas se devoraram como se o mundo fosse acabar ali. Minhas mãos deslizaram para dentro de sua camisa, sentindo o calor da pele, enquanto ele me puxava para o colo, já duro, já entregue.
O banco reclinou, e eu me abri sobre ele. Sua mão firme segurava minha cintura, guiando meus movimentos, enquanto minha boca mordia seu pescoço, arrancando gemidos abafados. O carro balançava, o vidro embaçava, e cada investida era um choque elétrico que nos consumia.
Eu o cavalgava com fúria, sentindo cada centímetro me preencher, e ele me agarrava como se quisesse me possuir inteira. O som das ondas lá fora era engolido pelos nossos gemidos, pelo ranger do couro, pelo ritmo selvagem que nos dominava.
Ele sussurrava meu nome, perdido, culpado, mas faminto. Eu ria, provocava, apertava mais forte, exigia que me desse tudo. E ele deu. Seu corpo explodiu em espasmos, o meu se abriu em vertigem, e juntos nos afogamos em suor, saliva e gozo.
E não paramos ali. Ainda colados, respirações ofegantes, eu continuei a me mover sobre ele, lenta, cruel, exigente. O prazer não cessava, era onda atrás de onda, gemido atrás de gemido. O carro virou caverna de pecado, nossas marcas gravadas no couro, nossos fluidos espalhados pela noite. Não havia eternidade — havia excesso, havia luxúria sem fim, havia dois corpos famintos que se devoravam até não restar nada além da carne exausta e do gosto proibido.
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Cléia Fialho

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