CENA 1 — A INVESTIDA
Voz baixa, arrastada, quase um rosnado.
"Entro-te de uma só vez.
Sem aviso. Sem delicadeza.
Como se o mundo acabasse
dentro deste segundo.
Sinto a tua carne a ceder,
a resistir, a ceder outra vez.
E fico ali. Parado. No fundo.
Onde o ar não chega e o calor é absoluto."
CENA 2 — A FOME HÚMIDA
Respiração mais acelerada,
sons de fundo implícitos.
"Afundo-me no teu desejo,
no teu vício húmido.
Horas que não são horas.
És o poço onde eu me atiro sem corda.
O suor une-nos, a pele escorrega,
e eu não saio.
Não quero sair.
Quero ficar para sempre neste calor, neste aperto,
neste silêncio que só nós dois entendemos."
CENA 3 — O CLIMAX
Voz a falhar, a rouquejar,
o som a aproximar-se do microfone.
"E então... rompes.
Sinto cada músculo teu
a cerrar-se em volta de mim.
Apertas. Grites.
O corpo estala.
Gelo. Fogo. Nada.
Ficamos suspensos, presos no ápice,
derretidos um no outro.
Ofegantes.
Desfeitos.
E completos."
CENA 4 — O DESFECHO
Voz suave, pós-coital, mas ainda carregada de tensão.
"Depois... o silêncio.
O quarto a girar.
Tu dormes no meu peito, e eu ainda estou em ti.
Derrotados.
Inteiros.
E famintos.
Sempre famintos."

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