Olho-te por dentro
como quem procura a palavra certa
que se perde no labirinto do peito.
Fecho as pernas em torno de um segredo
que não quer partir,
um eco persistente que insiste em ficar.
Escrevo-te nas linhas da palma,
em traços que só eu decifro,
nas rugas que o tempo vai pintando.
Sinto-te ainda a ecoar nas veias,
uma melodia partilhada,
uma dança que não terminou.
Vem cá, amor meu,
deita-te ao meu lado,
a noite é uma tela em branco
e o corpo, um instante que se esvai.
Bebe a minha essência,
encontra-me na ternura,
partilha este momento
que a vida nos oferece,
uma pausa serena
sob o olhar discreto da lua.
Tenho a alma sedenta
de silêncios que falam,
de olhares que se entendem
sem precisar de palavras.
Que a brisa nos afague,
que o tempo se demore.

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