TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





domingo, 5 de maio de 2024

NO FUNDO DA GARGANTA



Fode-me como se o mundo acabasse amanhã,
Com a urgência de quem nunca mais terá outra chance.
Não me beija — devora.
Não me toca — possui.

Tuas mãos apertam meus seios até doer,
Unhas que cravam carne, marcando território.
Eu grito porque quero mais,
Porque a dor é o preço do prazer verdadeiro.

Penetra-me sem piedade, sem preâmbulos,
Até eu sentir-te no fundo da garganta.
O som da pele batendo em pele
É o único hino que quero ouvir.

Morder, arranhar, suar, sujar-nos,
Em espasmos que não pedem permissão.
Não quero romance — quero a besta,
A fera, o ato cru, a devoração.

Até colapsarmos em sangue e suor,
Ofegantes, vencidos, completos.




  Cléia Fialho

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