O jogo de sedução já durava algumas semanas. Olhares que se encontravam e desviavam, sorrisos que diziam mais do que palavras, frases com duplo sentido que pairavam no ar como promessas não ditas.
Ambos trazíamos cicatrizes recentes. Ambos procurávamos distração.
Há poucos dias, depois de uma conversa que se estendeu além do esperado, aconteceu o primeiro beijo.
Terno, quase casto. Por vezes me esqueço de que ele ainda tem muito o que descobrir. Mas aquele beijo tocou em algo dentro de mim. Um beijo de exploração, cheio de curiosidade, intenso na medida certa.
Nossas rotinas se adaptaram para permitir encontros furtivos. Um café rápido entre reuniões, um almoço roubado. Ele tem um jeito leve, um sorriso que me desarma, uma habilidade de fazer rir até nos dias mais cinzentos. As ligações durante o dia se tornaram frequentes — só para saber se estou bem. Conhece minha agenda melhor do que eu mesma: sabe quando tenho treino, quando são as reuniões importantes, quando saio mais cedo ou mais tarde.
Tantas atenções me desconcertam. E a diferença de idade nunca deixou de rondar meus pensamentos. Ele tem uma energia tão jovem, tão renovada, tão cheia de possibilidades.
Ontem à noite, o telefone tocou. Era ele, perguntando onde eu estava, se podíamos nos ver. O dia tinha sido pesado — discussões em casa, cansaço acumulado, aquela sensação de estar sempre no limite. A noite piorou tudo. Aceitei o convite sem hesitar.
Encontramo-nos depois do jantar. Café, uma caminhada, risadas soltas. Os beijos vieram naturalmente.
— Quer subir? — perguntei, a voz mais baixa do que pretendia.
Os beijos dele mantêm aquela doçura quase ingênua, um pouco desajeitados, mas carregados de intenção. Sempre o avisei para ter cuidado, que estava mexendo com algo que talvez não conseguisse controlar. Acho que só ontem ele entendeu o que eu quis dizer.
No sofá, nos enroscamos. Beijos que esquentavam, toques que pediam mais, uma timidez que se dissolvia aos poucos. Quando percebi que ele estava mais à vontade, sugeri mudarmos de cenário.
No quarto, o guiei até a cama. Fui tirando suas roupas, peça por peça. Seu corpo é bonito — definido, firme, um convite silencioso.
Ele tentou me despir também, mas ainda sentia sua ansiedade. Toquei seu rosto, pedi calma, disse que não precisava se preocupar com nada.
Sabia que eu era apenas a segunda mulher dele, depois de um relacionamento longo que deixou marcas. E sabia também que dois meses de abstinência, somados à idade e ao desejo que transbordava em cada olhar, não seriam aliados de uma noite prolongada.
Quando minha boca encontrou seu peito, senti seu corpo se arrepiar. Cada beijo que descia, cada toque da língua na pele, arrancava suspiros profundos. E quando finalmente cheguei onde ele mais queria — seu membro já rígido, pronto — ele quase saltou.
— Não vou durar — disse, a voz falhando.
Com paciência, com pausas, com cuidado, continuei. A novidade me excitava, a tensão acumulada das semanas de flerte, o desejo que tentamos negar. Cada pausa era um momento de suspensão, onde eu mal ousava respirar para não precipitar o fim. Nessas pausas, encostava seu corpo ao meu, deixando que sentisse meu calor, minha excitação.
Quando soube que ele estava no limite, permiti que suas mãos explorassem meu corpo. Seus beijos se tornaram mais ousados, mais famintos. Deixei que ele mostrasse o que sabia, guiando seus dedos pelos caminhos que melhor conhecia.
Ele colocou a proteção e entrou em mim. A posição era simples, quase tradicional. E foi tudo muito veloz. Quando o senti dentro, quando meus dedos ainda tocavam meu próprio corpo, mexi-me levemente e soltei um suspiro. Ele não resistiu. O prazer veio rápido, intenso, seguido de um constrangimento que partiu meu coração.
Senti uma afeição imensa por aquela vulnerabilidade. Por aquela vergonha quase adolescente.
Sei que aquela noite foi mais para ele do que para mim. Mas não me importei. Porque, apesar de tudo, foi bom. Foi verdadeiro. E talvez fosse exatamente o que ambos precisávamos.
Ele se deitou ao meu lado, ofegante, e murmurou algo que não entendi. Eu apenas sorri, passei a mão em seu cabelo e deixei o silêncio falar por nós.
A noite ainda era longa. E mesmo que tudo tivesse durado apenas alguns minutos, havia ali um começo. Algo novo, leve, sem compromissos nem expectativas.
Uma página em branco. E nós dois, prontos para escrever.
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Cléia Fialho
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