O calor da noite pesa no corpo e a insônia vem junto com ele.
A sala está escura, iluminada apenas pela luz que entra da rua. As sombras dançam pelas paredes e trazem consigo lembranças, vontades, coisas que a gente nem sabe se são do passado ou do futuro.
Ele sorri. Não precisa responder. O sorriso já diz tudo.
Está no sofá, corpo relaxado, olhando para a televisão sem prestar atenção ao que passa. Eu estou deitada sobre ele, minhas pernas esticadas para fora do sofá, sentindo o vento morno que entra pela varanda aberta.
O cansaço tomou conta de mim. Ele nota. Os dedos dele começam a percorrer meu corpo com leveza, traçando caminhos lentos pelo meu rosto, minha nuca, meus ombros.
Cada toque seu é cuidado puro. E esse cuidado acende uma chama que não consigo controlar.
As mãos dele seguem explorando. Uma segura a minha com firmeza. A outra desliza pelo meu corpo com segurança, sabendo exatamente onde tocar. Os movimentos são precisos, lentos, e me levam aonde ele quer me levar.
Chego lá. No silêncio, no calor, sem pressa.
Me ergo e busco sua boca. O beijo é urgente, selvagem. Nossas línguas dançam uma com a outra num ritmo próprio, um beijo que parece não ter fim.
Saímos da sala. As roupas ficam pelo caminho, esquecidas no chão. Quando chegamos ao quarto, já estamos completamente nus. Deitamos lado a lado, sem pressa.
E começamos.
Gosto de envolver sua cintura com minhas pernas e prender meus braços em volta do seu pescoço. Ele sorri diante dessa prisão que o prende — mas que ele adora.
Cada movimento é sentido. Profundo. Às vezes suave, outras vezes intenso. Ele entra e sai de mim como quem conhece cada centímetro do meu corpo.
Adoro quando ele segura minhas pernas e as abre ao máximo, me esticando até quase o limite. Dessa forma, ele pode ir mais fundo.
E depois, muda de posição. Junta minhas pernas, levanta-as e me penetra assim. O beijo vem com tudo, cheio de vontade. A posição é complicada, não é das mais confortáveis, mas sentir ele tão dentro de mim faz valer cada segundo.
Voltamos ao jeito inicial e continuamos.
O prazer chega devagar, quase em silêncio. Nossos gemidos são baixos, contidos, apenas sussurros escapando entre os beijos.
Ele me diz que esses sons que faço mexem com ele de um jeito que não dá pra explicar.
Nem precisa explicar.
Apenas sentir.
E sentir é tudo.
❦
Cléia Fialho
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