como quem desliza os dedos
sobre a seda quente da saudade.
Tua ausência tem cheiro,
tem gosto,
tem umidade presa
nas entrelinhas do meu desejo.
Me deito no pensamento de ti
e lá te toco
como o vento toca a flor —
com fome,
com cuidado,
com reverência e loucura.
Minha pele
já decorou o caminho da tua,
e cada curva tua
é uma rima que meu corpo quer recitar.
Teu nome vem à minha boca
não como oração,
mas como gemido
entreaberto,
febril.
És verbo
quando me atravessa.
És mar
quando me invade.
És chama
que me incendeia por dentro.
E quando o silêncio enfim nos cobre,
nua da razão,
visto-me de ti
como quem habita
a última estrofe do prazer.
❦
Cléia Fialho
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