O corpo desaba de bruços na extensão do colchão,
ainda vibrando nos tremores grossos do pós-estrago,
com a tua respiração pesada
batendo contra os meus ombros
enquanto o transbordo escorre quente
pelas minhas coxas abertas.
Tu te deitas por cima, inteiro,
sem pressa de desocupar o espaço,
o teu peso gostoso esmagando a minha exaustão
enquanto colas os lábios trêmulos
no meu pescoço molhado,
bebendo a nossa umidade, o sal do nosso cansaço,
num tragar lento que mistura saliva, delírio e pulso.
A pele continua a escaldar sob o teu peito colado ao meu,
fricção muda que estica o tempo no meio do quarto abafado,
enquanto a gente respira o mesmo ar denso e viciado,
presos um ao outro na sola da bota do prazer recém-parido,
saboreando o gosto de ferro, brasa e carne satisfeita.
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