M- Minhas fantasias são meias imorais
E- Eu desejo muitas coisas sensuais
U- Uma dela é você baby!
Você deixou rastros em mim,
como vento que aprende a ficar,
e cada curva do meu ser
te reconhece sem precisar falar.
Sou território já atravessado
por tuas marcas de intensidade,
onde o excesso virou linguagem
e o toque ganhou eternidade.
Não há balizas nesse caminho interno,
nem mapa que contenha o desejo,
só a vastidão do que se expande
quando teu amor me deixa sem freio.
E sigo assim, inteira e aberta,
nessa extensão que se desperta,
como se em mim morasse o infinito
do teu gesto mais bonito…
A ponta da tua presença me atravessa,
como onda que chega e não se apressa,
e cada sensação que se instala em mim
me desfaz e me refaz assim.
Nossos desejos se reconhecem no ar,
como se já soubessem voltar,
e o encontro de amor e paixão
vira um só corpo, uma só pulsação.
Há uma luz que sobe sem explicação,
percorrendo silêncio e tensão,
e tudo em mim aprende a sentir
o que não precisa se definir.
E despida de qualquer fronteira interna,
eu me deixo na tua entrega terna,
enrolada nesse abraço que vem
como se sempre tivesse sido alguém…
Abrande meus medos
Acaricie minhas expectativas
Teu sorriso dá sentido a tudo,
é farol na noite indecisa,
é aurora mansa
rasgando as sombras do meu receio.
E quando mergulhas profundo
nos labirintos do meu mundo subterrâneo,
não te perdes —
encontras tesouros escondidos,
fontes de desejos calados,
ecos de uma entrega que pulsa
serena e ardente.
Fica…
e faz do meu caos morada,
do meu medo, repouso,
e de mim,
teu infinito mais íntimo.
Pela manhã teus lábios me chamam,
Teus desejos me consomem,
não como fogo que destrói,
mas como chama que insiste e permanece,
acendendo em mim um querer sem medida.
Nossas inebrias se inflamam,
feito vinho derramado na memória,
misturando risos, arrepios e vontade,
num tempo que já não obedece à história.
E o mundo lá fora se torna distante,
como se tudo perdesse o próprio nome,
quando o teu instante me atravessa
e me transforma em pura espera e fome de presença.
Com tua língua contorne
a borda dos meus desejos,
desenhando mapas secretos
na pele que te chama.
Cobice ternamente
minha nudeza,
não como posse bruta,
mas como quem contempla
uma obra rara à luz da lua.
E torne-se dono de mim
no pacto silencioso dos corpos,
onde o querer é entrega,
e a entrega é chama serena,
ardendo sem pressa,
ardendo em promessa,
até que o mundo desapareça
e reste apenas
o pulsar do nosso infinito.
Minha intimidade
refúgio de verdade,
onde me dispo das máscaras
e descanso da coragem de ser forte.
Sussurros de liberdade
É ali que guardo
meus medos mais nus,
meus sonhos mais febris,
minhas vontades ainda sem nome.
Minha intimidade
é jardim fechado,
mas de portão entreaberto
para quem chega com mãos suaves
e olhar sincero.
Nela não há espetáculo,
há essência.
Não há ruído,
há pulsação.
E quando me encontro
nesse espaço secreto,
sou inteira —
sem receios,
sem disfarces,
apenas verdade
respirando liberdade.