TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









domingo, 17 de abril de 2016

O ECO DA SAUDADE


Na calma da noite serena,
Sinto o eco da saudade.
De quem está longe, e me acena,
Fazendo-me sonhar de verdade.

Em meu peito, a saudade voa,
Com vontade de tê-lo à toa,
Num abraço quente, sem fim,
Que só existi entre nós, enfim.

E a noite, tão lenta e profunda,
vai costurando o silêncio em mim,
como quem borda lembranças na penumbra
sem saber bem onde começa o fim.

Te procuro no espaço entre os segundos,
nesse intervalo que o peito inventa,
onde os sonhos se fazem mais fundos
e a ausência, de ti, se alimenta.

Se o vento passa, me fala teu nome,
num sopro leve que insiste em ficar,
e a distância, ainda que me consome,
não sabe o jeito de te apagar.

Então sigo — verso aberto, incerto —
feito rio buscando o mar,
com o coração sempre desperto
na esperança de te encontrar.





  Cléia Fialho


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