TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 18 de junho de 2017

QUANDO OS LÁBIOS DESCEM FAMINTOS


No sussurro da brisa quente 
que sobe pelas coxas abertas,
os lábios se encontram famintos, 
escancarados, vorazes,
molhados de vontade 
e baba de desejo ardente,
suaves apenas na promessa, 
brutais na queda livre.

A manhã morre no calor da boca 
que desce devagar,
que lambuza, que saboreia 
cada dobra e cada fibra tensa,
dando vida ao instante que arde, 
pulseja e grita alto,
fazendo do corpo um altar de espasmos 
e gemidos roucos.

Deliciam-se em cada toque 
de língua dura e exigente,
que circula, que fura, 
que domina a carne 
completamente rendida,
que bebe o suor escuro, 
que trava a respiração presa no grito,
que constrói uma linguagem nova 
feita só de prazer.

O instante se dilata infinito, 
a pele estremece viva e nua,
os lábios trafegam pelo vale úmido
profundo e escuro,
suculento, pulsando
e o gemido que nasce
tem fome absoluta.




  Cléia Fialho


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