No sussurro da brisa quente
que sobe pelas coxas abertas,
os lábios se encontram famintos,
escancarados, vorazes,
molhados de vontade
e baba de desejo ardente,
suaves apenas na promessa,
brutais na queda livre.
A manhã morre no calor da boca
que desce devagar,
que lambuza, que saboreia
cada dobra e cada fibra tensa,
dando vida ao instante que arde,
pulseja e grita alto,
fazendo do corpo um altar de espasmos
e gemidos roucos.
Deliciam-se em cada toque
de língua dura e exigente,
que circula, que fura,
que domina a carne
completamente rendida,
que bebe o suor escuro,
que trava a respiração presa no grito,
que constrói uma linguagem nova
feita só de prazer.
O instante se dilata infinito,
a pele estremece viva e nua,
os lábios trafegam pelo vale úmido
profundo e escuro,
suculento, pulsando
e o gemido que nasce
tem fome absoluta.

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