Pra que servem lençóis, se jogados ao chão,
deixam meu corpo em frenesi desajeitado,
em flerte com tua pele ardente,
onde o silêncio arranca meus gemidos,
onde teus dentes me cravam,
e eu te deixo entrar inteiro.
Brancos de algodão, cúmplices da febre,
ficam rubros, envergonhados, molhados,
invejosos da entrega dos nossos corpos.
Eu me desvendo, mudo rotas,
mudo caminhos, cravo unhas nos lençóis,
corpos em desalinho, em vertigem.
Nos lençóis alvos teu cheiro permanece,
denunciam com manchas o gozo,
detalhes explícitos do nosso amor.
Perfeição de prazer na pele macia,
as marcas estampadas são poesia,
nosso delírio gravado em tecido.

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