Ainda o sol que surge, corpo em brasa,
Teu corpo quente onde o meu se aninha,
Perguntas vão se esvaem, sem ênfase,
Onde jaz o tempo que a alma adivinha.
Não busques os dias que se foram, perdidos,
Em gestos que a carne em fogo desfaz,
No emaranhado de corpos unidos,
Na entrega sem pudor que o instinto traz.
São pó agora, em leitos construídos,
Entre o tremor que a pele bem sente,
E o delírio que almas têm contido,
A voracidade que nos faz ardente.
E a essência que brota em nosso centro,
Em cada toque, em cada arrepio lento.

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