Na rima e métrica,
a luxúria se revela
Entre lençóis de versos,
a paixão se consagra
Em cada inspiração,
o desejo se atrela
No enlace dos estros,
a chama se propaga.
E o verbo, febril, se derrama
na cadência dos corpos em brasa,
feito vinho vertido na noite
que lentamente a lucidez arrasa.
Cada sílaba arde em segredo,
cada pausa suspira ansiedade,
e a poesia se faz desatino
na boca feroz da vontade.
Entre metáforas e arrepios,
vou tecendo delírios sem fim,
pois quando a luxúria veste versos,
o impossível se curva a mim.

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