A carne se abre como mar profundo,
ondas de vertigem se erguem em gemidos,
correntes arrastam sem piedade,
e cada toque é naufrágio inevitável.
como náufrago que deseja perder-se,
sem bússola, sem porto,
apenas o infinito que engole.
O oceano da carne é vastidão selvagem,
um abismo salgado de prazer,
onde o corpo se dissolve em tempestade,
e o delírio se torna eternidade líquida.
❦
Cléia Fialho

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