gota quente sobre a pele,
desenhando mapas que só
o desejo sabe ler.
A tua respiração me alcança
antes das tuas mãos,
ventania baixa que levanta
a cortina da minha calma.
És brasa que não queima,
mas invade,
se instala devagar sob as costelas,
desfazendo nós que eu nem lembrava ter.
Me perco no contorno do teu riso,
na curva do silêncio entre um beijo e outro,
onde o tempo se entrega e vira pó de estrela
nas dobras do lençol.
E quando teus dedos me encontram,
o mundo vira canto abafado,
gemido antigo que volta da neblina,
ritmo que eu sabia de cor sem nunca ter aprendido.
Fica.
Que a noite ainda é nossa,
e o corpo pede mais que promessa:
pede verdade, pele contra pele,
até virar coro final o nosso arfar.
❦
Cléia Fialho
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