Cada investida minha é sílaba de fogo cravada
na tua carne aberta, obediente, molhada.
Cada roçar do meu quadril contra o teu
é métrica selvagem que só o instinto teceu.
No teu grito rouco eu vou rascunhando
o poema obsceno da tua entrega inteira,
letra por letra na tua pele traçando
os versos que só o meu ardor libera.
Sou pena áspera, tinta viva, punho firme,
que te escreve por dentro sem pudor nem trégua.
E quando o gozo em jorros me submerge,
derramo em ti a alvura da minha ânsia cega.
Cravo o meu selo no fundo do teu ventre,
firmo a assinatura com pulso brutal.
E fica assim
— poema despedaçado, ardente
— o teu corpo tremendo no lençol banal.

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