Na aurora dançante,
a manhã desperta seu brilho
Tece raios de sedução
num ápice de paixão
eu rendo-me ao seu atilho.
E o vento, cúmplice antigo das madrugadas,
desenha caminhos invisíveis na minha pele,
como se o mundo inteiro respirasse contigo.
Há um chamamento que não se explica,
só se obedece,
um rumor quente entre o silêncio e o caos,
onde tudo em mim perde o nome
e ganha impulso.
E sigo — sem mapa, sem defesa —
nesse chamado que me arrasta inteiro,
como se a vida soubesse exatamente
onde termina o corpo
e começa o delírio.
❦
Cléia Fialho

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