Eu me perco no som da tua voz,
na forma única que tens de me alcançar.
No teu jeito de amar, meio desfeito,
virando tudo do avesso sem avisar.
só sinto — e deixo arder sem explicar.
Ser feliz é esse desejo insistente,
esse impulso que não sabe esperar.
E num instante qualquer, quase indecente,
o mundo parece pronto pra girar.
Roupas se perdem na pressa do momento,
e um arrepio insiste em me tomar.
Depois de alguns goles a mais na noite,
tudo vira convite pra se entregar.
O juízo escapa pela borda do copo,
e eu já não sei bem onde vou parar.
Se eu me perco demais nesse caminho,
não prometo voltar no mesmo lugar.
Não quero ser só passagem na tua história,
nem lembrança que insiste em machucar.
Quero ser o instante que fica na memória,
sem peso, sem medo de se apagar.
Mas há ciúme em certas sobras de perfume,
quando a saudade resolve ficar.
Vou ficar mais um pouco nesse teu universo,
decorando cada curva do teu olhar.
E essa aventura viva, de pele e de risco,
deixa marcas que o tempo não vai apagar.
E em algum lugar entre o toque e o abismo,
a gente aprende até a levitar.
Tu tens algo que parece impossível,
um quase céu difícil de explicar.
Um corpo que desenha o inatingível,
como se fosse feito pra provocar.
E tua boca — ah, tua boca —
é o verso mais bonito que eu pude tocar.
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