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sexta-feira, 4 de julho de 2014

MINHA — TODA MINHA




Ele agarrou-lhe os ombros e empurrou-a de bruços contra o colchão, que cedeu sob o peso dos dois com um som abafado. Ela arqueou as costas num reflexo, o cabelo escuro a escorregar para os lados, a nuca exposta como uma oferenda. Ele baixou a boca e mordeu-a ali, os dentes a afundarem na pele até ela soltar um gemido agudo que lhe encheu os ouvidos. «Minha mulher, meu vício, minha sede», rosnou contra a carne quente. As mãos desceram-lhe pelas costas, dedos calejados a agarrar o cós das calças e a puxá-las para baixo. As calças dela desceram até aos joelhos e ele roçou a mão aberta sobre as nádegas nuas.

As calças dela desceram até aos joelhos e ele roçou a mão aberta sobre as nádegas nuas. A pele estava quente, macia, e ele sentiu o corpo inteiro a latejar de fome. Agarrou-lhe as coxas com força e abriu-lhe as pernas, os joelhos a afundarem-se no colchão que cedeu sob o peso dos dois. Ela soltou um gemido abafado contra o lençol, as costas arqueadas, a concha molhada a brilhar na luz fraca do abajur.

Ele desabotoou as calças com um puxão seco. O caralho saltou-lhe para a mão, duro, a glande inchada e a latejar. Não havia paciência. Não havia espera. Só havia a sede. Cuspiu na mão e esfregou a glande contra a fenda dela, a sentir o calor húmido que o chamava para dentro. Ela gemeu e empurrou as ancas para trás, a pedir sem palavras.

Ele agarrou-lhe as ancas com as duas mãos e enterrou-se nela de um empurrão fundo. O caralho abriu caminho pela concha molhada até aos ovos, e o som que saiu da garganta dela foi um grito rouco que lhe encheu o peito de posse. Apertava-o todo, quente, molhada, a puxá-lo para mais fundo. Ele não esperou que ela se habituasse. Puxou as ancas para trás e voltou a enterrar-se, mais fundo, mais seco, mais violento.

O ritmo foi imediato. Estocadas secas, o som de pele molhada a chocar a encher o quarto. Ele puxava-a contra a virilha com cada golpe, os dedos cravados na carne das ancas, a sentir o corpo dela a ceder e a recebê-lo. Ela agarrou o lençol com os nós dos dedos brancos, a gemer alto a cada estocada, o cabelo escuro a saltar sobre os ombros.

«Minha», rosnou ele, a voz rouca e partida. «Toda minha.»

Ela arqueou mais as costas, a concha a apertá-lo, a puxá-lo, a engoli-lo. Ele sentiu o caralho a inchar, a pulsar dentro dela, e o ritmo tornou-se desesperado. As estocadas eram mais rápidas, mais fundas, os ovos a baterem contra a pele molhada dela com um som obsceno. O colchão cedia a cada golpe, a cabeceira da cama a bater contra a parede.

O gozo veio de repente, uma onda que lhe subiu pela espinha e lhe explodiu no ventre. Ele gemeu rouco e enterrou-se até ao fundo, o caralho a pulsar, o esperma quente a jorrar contra o útero dela em jatos grossos. Ela gritou, o corpo a estremecer, a concha a apertá-lo em espasmos que lhe sugaram até à última gota. Ele ficou ali, enterrado, a sentir o esperma a enchê-la, a inundá-la, a escorrer pela fenda enquanto o corpo dela ainda tremia.

O esperma escorre pela fenda dela enquanto ele ainda a mantém aberta, a marca dentro quente.

O peso dele desmoronou-se sobre as costas dela, o peito a achatar-se contra a pele suada, a respiração rouca a abrandar contra a nuca exposta. O caralho ainda estava enterrado, mole agora mas preso dentro da concha encharcada, e ele não fez menção de sair. Queria ficar ali, a sentir o calor húmido que os unia, a pulsação lenta do corpo dela a apertá-lo em espasmos cada vez mais espaçados.

Ela respirava em arrancos, o rosto virado para o lado, a bochecha contra o lençol amarrotado. O corpo tremia ainda, pequenos estremecimentos que lhe percorriam as costas e faziam o caralho dele deslizar um milímetro dentro dela. Ele gemeu baixo, um som rouco e satisfeito, e deixou o peso morto dos ombros afundá-la mais no colchão. O colchão cedeu sob os dois, a espuma a moldar-se à forma dos corpos empilhados, e ele sentiu o esperma quente a escorrer da concha dela, a descer pelo períneo, a pingar contra o tecido do lençol.

O cheiro a sexo enchia o quarto. A luz fraca do abajur desenhava sombras nas costas dele, nos ombros largos que subiam e desciam com a respiração pesada. Lá fora a noite estava fechada, mas ali dentro o tempo parara naquele momento — os dois corpos colados, o esperma a escorrer, o silêncio a crescer.

Ela virou o rosto devagar, o cabelo escuro a arrastar-se contra a almofada. Ele ergueu a cabeça o suficiente para lhe ver o perfil, os lábios entreabertos, os olhos semicerrados. Baixou a boca até à nuca exposta e beijou a marca da mordida — a pele roxa, os dentes ainda impressos, a carne quente sob os lábios. Passou a língua devagar sobre a marca, a roçar a pele sensível, a selar o que já estava selado.

Ela fechou os olhos e um suspiro longo escapou-lhe dos lábios. O corpo rendeu-se mais um pouco, os músculos a relaxarem sob o peso dele, a concha a apertá-lo uma última vez antes de se aquietar.

«Minha», sussurrou ele contra a nuca marcada, a voz rouca e gasta, a palavra a afundar-se na pele roxa como se fosse mais uma mordida.

Ela fechou os olhos, rendida ao que ficou dentro.







Cléia Fialho

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