TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









segunda-feira, 17 de agosto de 2026

NO CHEIRO DO MATO


No verde aberto do Rio Grande,
a terra se mistura ao céu,
e o desejo nasce bruto, selvagem,
faz o peito arder, latejar, solto.

O vento atravessa os trigais,
carrega suor e promessa molhada,
corpos que se perdem, se encontram,
pelas coxilhas, em trilhas da pele nua.

O céu aberto espia as correntes,
rios que deslizam, sussurram segredos,
água que toca a alma, molha a carne,
incendeia a pele, chama o instinto.

No cheiro do chimarrão e do mato,
o gaúcho segura firme, mão calejada,
mas é na entrega, no toque sem pressa,
que a terra se abre, e o fogo desperta.




  Cléia Fialho