A cada respiração
o teu peito sobe e me chama,
convite mudo ao abismo
onde o pudor se afoga e a pele acorda.
Vem — que a boca é porto,
e o meu corpo, embarcação sem leme,
navega por dentro da tua fome.
Somos melodia rouca,
gemido feito partitura,
sintonizados no compasso
em que o quadril responde ao quadril
e a mão aprende o mapa da coxa.
Cada onda que sobe
é maré que arqueia,
é lençol que se torce,
é sal que escorre entre os seios
e desaba na tua boca faminta.
Navegantes de um mar quente,
mergulhamos onde a razão não chega,
onde só o instinto sabe remar,
onde o gozo é a costa que buscamos como náufragos
que finalmente reconhecem o cheiro da terra.
E quando o corpo se rende,
tremendo em espuma,
adormeço sobre o teu peito
— maré serena
depois da tempestade tua.
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