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quinta-feira, 10 de julho de 2014

SETE DA MANHÃ




O relógio marcava pouco mais das sete.

Da manhã.

Acabara de sair do banho — porque não há melhor despertar do que uma ducha gelada que sacode o corpo e a alma — quando o som da campainha ecoou pela casa. Estranhei. Muito. Quem bateria à porta tão cedo? Uma entrega? Engano? Visita?

Fui atender.

Era ele. Meu Peter Pan particular, madrugador inveterado, que resolveu me presentear com uma surpresa matinal. Durante a semana, nossas vidas nos roubam o tempo — restam apenas cafés rápidos, almoços cronometrados, olhares roubados entre compromissos. Ele disse que sentia minha falta. Que queria me ter por perto sem precisar vigiar o ponteiro do relógio.

Achei lindo. Terno. Daquelas coisas que aquecem o coração antes mesmo do sol nascer.

E o desejo, aquele que a gente abafa durante as horas de trabalho, que reprimimos em reuniões e telefonemas, despertou imediato, voraz, tomando conta de nós como fogo em palha seca.

Terminamos na cama em questão de segundos. Meu roupão sumiu não sei onde, como se tivesse se evaporado no ar. E sentir minhas mãos desfazendo cada nó da gravata dele, desabotoando sua camisa uma a uma, despindo a armadura de executivo que ele veste durante o dia — isso me deu um prazer imenso.

Sua pele estava macia, o rosto liso, a barba recém-feita, cheirando a loção pós-barba.

Lembrando da nossa primeira vez, ele sussurrou que queria minha ajuda. Que eu mostrasse o caminho do meu próprio prazer.

Ele me beijou. E enquanto sua boca encontrava a minha, suas mãos viajavam pelo meu corpo sem pressa, como quem explora um território que quer conhecer de novo. Os lábios dele desceram pelo meu queixo, meu pescoço, meu peito. Depois a barriga, as coxas... até chegar onde eu mais queria.

Ele me beijou ali. Me chupou. Fez tudo direitinho, com dedicação e vontade. Era bom, sim. Mas eu não estava nem perto do fim.

Quando ele parou, virei seu corpo. Ele ficou de costas e eu agarrei sua ereção, já pulsante. Comecei beijando devagar, rodeando com a ponta da língua, descendo, subindo, chupando com calma.

Ele tremia. Os gemidos escapavam, entrecortados, enquanto ele lutava para se controlar. Eu sabia exatamente quando ele ia explodir — e parava. Deixava ele na beira, suspenso, prolongando o que sentia.

Ele repetiu que queria me tirar do sério. Penetrou fundo, com força, com fome. Mas eu sei que essa não é a maneira mais rápida de me levar ao limite, então murmurei no ouvido dele:

— Se você me tocar, eu chego mais rápido.

Mais uma vez, minhas mãos guiaram as dele. Mostrei onde, com que pressão, em que ritmo. Eu já estava encharcada, pronta. Quando ele disse: "Já entendi! Deixa comigo", me entreguei por completo.

Fechei os olhos. Só senti. Seu corpo sobre o meu, sua boca, seus dedos — no começo tímidos, depois seguros, confiantes. E veio.

Não foi um daqueles que derrubam o mundo, mas foi meu. Prazer verdadeiro. Espasmos, gemido, corpo tremendo. Foi gostoso.

Ele sorriu. Feliz. E eu devolvi a escolha: onde ele queria sentir prazer agora?

Ele não soube responder. Ficou com os olhos arregalados, balbuciou algo inaudível.

Deitei um beijo nele e lembrei: o que acontece aqui é nosso. Não precisa de vergonha, de medo. Isso é para ser bom. Para nós dois.

Ele riu, ainda com um traço de timidez. E respondeu:

— Você sabe que a sua boca me enlouquece.

Então atendi ao pedido.

Voltei a ele. E dei-lhe um prazer imenso.

Não preciso dizer que o dia inteiro carregamos sorrisos bobos estampados no rosto, né? Acho que vocês já imaginam.






Cléia Fialho

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