TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quinta-feira, 23 de julho de 2015

A MORDIDA QUE ABRE O ABISMO



Não são palavras que traçam o destino
É o pulsar que nos faz avançar juntos
Deixando para trás o mundo e seus assuntos
Nesse abraço que sufoca e define o limite

Tua mão desce lenta pelo meu peito nu
Acordando cada fibra adormecida e tensa
O suor fala mais que qualquer discurso vazio
Enquanto o lençol se enrola
 em nossas pernas molhadas de prazer

A língua desenha mapas proibidos e quentes
Mordendo o limite entre o gozo e o grito profundo
Não há destino fora dessa cama suada e escura
Onde o tempo morre e o corpo 
resucita em espasmos selvagens

Vamos deixando tudo para trás e fora
Cada beijo um pacto de fogo e demanda
Esse abraço profundo e demasiado fino
Que nos devora até o último suspiro 
rouco e roubado de vida

Minha boca encontra teu pescoço arqueado
Mordendo a carne que pulsa e implora
Não há mais fim que nos separe.




  Cléia Fialho

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