Não te largo hoje, nem agora, não:
a boca tem memória de torrente,
e o corpo, em fome antiga, se impaciente
e ergue, de bruços, a própria solidão.
As ancas sobem — arco de paixão —
e o colchão cede à curva mais urgente.
Mordo-me em ti, vício reverberante,
e o gozo espalha a sua inundação.
Vem, que a sede é um líquido sem fundo,
e o prazer, quando atinge o seu grau,
deixa uma marca quente no que toca.
Derramo-me em ti, dentro do mundo,
e o corpo, que era só, torna-se igual
à onda que em si mesma se desloca.


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