Em si mesmo, o poeta se revela,
No leito onde o prazer sua sede sacia,
O corpo é mapa de desejo que bela,
E o ato é poesia que a alma desvia.
A carne é tinta em tela que se desenha,
O gozo é verso que peito se grava,
A noite é página onde a paixão se escreve,
E o corpo é o livro que a alma traduza.
Mas no silêncio do quarto, após o êxtase,
O poeta encontra um vazio profundo,
O prazer, fugaz, não preenche o espaço.
Deixa um vazio que o coração não se esconde,
Pois a semente do amor é urgente e bela,
Mas o fruto do prazer é sempre passageiro.


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