No quarto quieto, um desejo aflora
qual chama acesa, buscando seu calor —
mas não quero calor brando,
quero o fogo que consome,
que faz a pele estalar
e a voz falhar
no instante em que tu me tocas.
Do teu olhar a brisa me explora,
é vendaval que levanta a saia,
que encontra a pele nua e insiste,
sopra onde eu arqueio,
onde eu abro,
onde eu imploro sem palavras.
E o peito se abre, sem qualquer pudor —
não, o peito não basta.
É o ventre que se ergue em tua direção,
são as coxas que se afastam
num convite sem subtítulo,
são os dedos que se perdem
por baixo da minha própria roupa,
ensaiando o que virá.
O quarto não é mais quieto.
O quarto é um animal
que nos observa — e geme conosco.
As paredes sabem
do meu gosto na tua boca,
do teu membro contra a minha coxa,
da pressa que fingimos não ter.
Desejo aflora
Isto é inundação.
Isto é quarto virado mar,
é lençol virado onda,
é o meu corpo arqueando
como ponte para tua passagem,
e tu passas — e repasses,
e não me deixas seca.
O calor não é mais algo que buscas.
É o que somos,
dois corpos derretidos
um no outro — sem pudor,
sem quarto — sem ar,
só o ir — só o vir,
E quando parares — não pares.
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