Quando finalmente te toco,
o mundo silencia.
Meus dedos aprendem o alfabeto do teu dorso,
cada vértebra, uma linha,
cada curva, um verso que só a boca decifra.
Teus lábios entreabertos não pedem,
evocam.
E minha boca responde como quem bebe de uma fonte
que não mata a sede — aprofunda.
Teu beijo tem gosto de eternidade adiada,
de fruta que finalmente perdoa quem a morde.
Minha mão desce lenta, decorando teu mapa,
como quem não quer esquecer o caminho de volta.
Tua pele responde em arrepio,
cada toque meu, um sim sussurrado.
Teu quadril se encaixa no meu como um segredo,
teu suspiro encosta no meu ouvido e me desgoverna.
Você morde meu lábio de leve,
e eu entendo: não é pressa, é fome contida.
Fica mais perto, assim,
onde tua respiração já confunde com a minha,
onde teu corpo me chama pelo nome
sem precisar dizer uma palavra.
Eu te leio inteira com a boca,
pausando nas vírgulas do teu pescoço,
me perdendo nos capítulos da tua cintura,
até você me puxar pra frase final.

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