Os lençóis revolvidos enrolavam-se-lhe entre os dedos, o tecido húmido do suor que lhe escorria pelas costas magras. Torcia o algodão com força, a respiração falhada, o peito a arder. A fúria do corpo represada latejava-lhe nas coxas, na garganta seca, na ganância de ter o sexo do outro cravado em si — o peso, o cheiro, o sabor do fluido que ainda não provara.
A luz de rua na parede cortava o quarto em lâminas pálidas, vazias. Ele não sabia se o amante estava perto ou longe, se já o tivera sem saber ou se ainda viria. Agarrou o próprio pulso com força, os olhos escuros fixos no teto. "Diz-me quem sou para ti. Diz-me o que queres de mim." A voz saiu rouca, súplice e exigente. Depois ouviu passos no corredor e a maçaneta a ceder.
A porta abriu-se sem pressa, e a luz de rua na parede desenhou-lhe os ombros largos, a mandíbula endurecida, o olhar pesado que não pedia licença. Ele entrou e fechou a porta atrás de si, o silêncio a engrossar entre os dois.
O peito magro arfava, os dedos ainda torciam os lençóis. Depois largou tudo e atirou-se para a frente, as mãos a agarrar a camisa do Amante com a força de quem se afoga.
— Não me deixes ir.
A voz saiu rouca, falhada, os olhos escuros cravados nos dele.
— Não me deixes ir.
O Amante não respondeu. Empurrou-o de costas sobre os lençóis revolvidos, a mão espalmada no peito nu, o peso do corpo a prendê-lo contra o colchão. A boca desceu dura sobre a dele, a língua a forçar entrada, o beijo molhado e urgente, sem pausa para respirar. Os dedos do peito magro cravaram-se-lhe nos ombros, as unhas a marcar a camisa, a puxá-lo para mais perto, para dentro, para onde não houvesse fuga possível.
O Amante afastou-se o suficiente para lhe ver os lábios húmidos e os olhos a arder. Endireitou o tronco, puxou a camisa sobre a cabeça e desabotoou as calças sem desviar o olhar.
As calças caíram no chão e o Amante ficou nu da cintura para baixo, o pau já duro e grosso, a luz de rua a desenhar-lhe o contorno. Inclinou-se sobre o corpo magro, os dedos a puxar o resto da roupa que ainda cobria o protagonista, a despachá-la com gestos curtos e brutos.
Depois os joelhos forçaram as coxas a abrir, a separá-las sobre os lençóis revolvidos, o peso a prender as pernas contra o colchão. O protagonista gemeu, o peito a arfar, as mãos a agarrar os lençóis como se fossem a única âncora.
— Mete-o. A voz saiu esganiçada, os olhos escuros fixos no pau que pulsava entre as pernas abertas. — Mete-o agora.
O Amante não se apressou. A mão direita envolveu o pau do protagonista, uma punheta seca e firme, o polegar a passar sobre a glande já húmida. O corpo magro estremeceu, as ancas a subir contra a palma, um gemido a rasgar-lhe a garganta. O Amante olhou-o de cima, a mandíbula dura, os olhos a escurecer enquanto o masturbava com força, o som da pele seca a encher o quarto.
— Assim não — o protagonista puxou-lhe o braço, os dedos a cravar-se na pele. — Quero provar-te.
O Amante largou-o e endireitou o tronco, os joelhos ainda a manter as coxas abertas. O protagonista ergueu-se sobre os cotovelos, a boca a procurar o pau, a língua a passar pelo sulco da glande, a lamber o fluido que já escorria da ponta. O sabor salgado encheu-lhe a boca, a saliva a misturar-se com o pré-leite enquanto chupava com fome, a cabeça a mover-se para a frente e para trás, os lábios a apertar a pele quente.
O Amante gemeu baixo, a mão a agarrar-lhe o cabelo revolto, a puxar-lhe a cabeça para mais fundo. A saliva escorria pelo queixo do protagonista, os olhos a lacrimejar, mas não parou — chupou até sentir o pau pulsar contra a língua, até o Amante o puxar para trás com força.
— Chega.
Empurrou-o de costas outra vez, os joelhos a abrir-lhe as coxas com mais força, a posicionar-se entre elas. O protagonista sentiu a glande a pressionar a entrada, o calor do pau contra o cu, e arquejou. O Amante cuspiu na mão, espalhou a saliva sobre o próprio pau e empurrou. Um thrust único, duro, até ao fundo. O gemido que saiu da garganta do protagonista foi involuntário, um som rouco e quebrado, as costas a arquear, as unhas a cravar-se nos lençóis.
— Assim — gemeu, a voz a falhar. — Assim.
O Amante começou a mover-se, as estocadas longas e lentas, o pau a sair quase todo antes de empurrar de novo até ao fundo. O cu apertava-o a cada thrust, lubrificado pelo fluido que o protagonista espalhara com a boca, pelo pré-leite que escorria do próprio pau.
O ritmo subiu — de lento a duro, de duro a brutal. As ancas do Amante batiam contra as nádegas com um som molhado, a mão a agarrar o quadril magro, os dedos a marcar a pele, a puxar o corpo contra cada estocada. O protagonista agarrou-lhe as costas, as unhas a riscar a pele suada, as pernas a enrolarem-se-lhe na cintura.
— Mais — implorou, a voz a quebrar-se. — Mais fundo.
O Amante obedeceu. O pau enterrou-se até às bolas, os thrusts a acelerarem, o som da carne a bater na carne a encher o quarto escuro. O protagonista sentiu o próprio pau a esfregar-se contra o ventre duro do Amante, o atrito a empurrá-lo para o limite, o corpo a espasmar.
O Amante gemeu grave, os dentes cerrados, e veio-se — o leite a jorrar dentro do cu, quente e espesso, enterrado até ao fundo. O protagonista gritou, o corpo a arquear, e o próprio leite jorrou sobre o ventre e os lençóis revolvidos, os espasmos a sacudi-lo enquanto o Amante ainda pulsava dentro dele.
O Amante desabou sobre o corpo magro, ainda dentro dele, o leite a escorrer entre os dois corpos suados.
O Amante não se afastou. Ficou ali, o peito colado ao dele, o pau a amolecer devagar dentro do cu ainda a pulsar. As pernas magras cruzaram-se-lhe nas costas, os calcanhares a pressionarem a base da espinha, recusando soltar. O leite quente escorreu do cu, a descer entre as coxas, a colar-se aos lençóis revolvidos.
A luz de rua na parede iluminava os dois corpos entrelaçados, suados e imóveis. O silêncio agora era de presença. A mão do Amante pousou no peito magro, os dedos abertos sobre o coração a abrandar. Ele suspirou e fechou os olhos.
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Cléia Fialho

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