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segunda-feira, 26 de maio de 2014

O DOMÍNIO DO CORPO




Ela estava deitada de bruços quando ele entrou no quarto. Não se mexeu. Queria que ele a visse assim — espalmada, entregue, as pernas ligeiramente separadas, a pele ainda quente do banho que tomara enquanto o esperava. A toalha caíra para o lado, deixando as curvas expostas, as marcas da água a escorrerem pelas costas. Não era uma pose. Era uma declaração.

Ele parou na porta. Os olhos percorreram-na devagar, como um ladrão que examina uma joalharia antes do assalto. Cada centímetro daquela pele era uma promessa. Cada sombra entre as coxas era um convite. Ele tirou a camisa sem pressa, os dedos a desabotoarem um a um. Depois a calça. Depois a cueca. Depois tudo.

— Fica assim — ordenou. A voz saiu-lhe baixa e metálica, como aço enrolado em seda.

Ela obedeceu. Não havia alternativa. Aquele tom não admitia hesitação.

Ele montou-a por trás, o corpo a cobrir o dela como uma segunda pele. As mãos escorregaram pelos ombros, pelas costas, até se fixarem nos quadris. Os dedos pressionaram a carne, abrindo caminho para o centro húmido que já pulsava, à espera. Ela não se conteve. Empinou o rabo contra a mão dele, oferecendo-se, pedindo silenciosamente.

— Assim? — perguntou ele, a ponta do sexo a roçar-lhe a entrada.

— Assim — respondeu ela, a voz presa na garganta.

Ele entrou devagar, uma polegada de cada vez, como quem saboreia um prato que esperou a noite inteira. Ela sentiu a cabeça a abrir-lhe as paredes internas, a deslizar entre o líquido quente que já escorria, a preenchê-la até ao limite. Quando ele chegou ao fundo, parou. Ficou imóvel. Apenas a respiração quente na nuca dela, os dedos a apertarem-lhe os quadris.

— Mexe-te — sussurrou ela, a impaciência a vibrar nas cordas vocais.

Ele sorriu. E começou a mover-se. Não como um amante — como um animal que finalmente encontrou a presa. O ritmo era brutal, as estocadas fundas e curtas, a pele a bater na pele com um som húmido que preenchia o quarto. Ela enterrava a cara no travesseiro, os dentes a morderem o tecido, os gemidos a escaparem-lhe em ondas.

De repente, ele parou. Saiu dela por completo. Ouviu-se o som molhado da separação, e ela quase gemeu de frustração. Mas não teve tempo de reclamar. Ele virou-a como se ela fosse uma boneca de pano, deitando-a de costas, e sentou-se no peito dela. O sexo erecto, brilhante e húmido, oscilava diante dos olhos dela, a poucos centímetros da sua boca.

— Abre — disse ele.

Ela abriu a boca. A língua deslizou para fora, húmida e pronta, e ele enfiou-lhe o membro inteiro, sem aviso, sem piedade, até sentir a garganta a contrair-se à volta da glande. Ela não resistiu. A mão direita subiu, agarrou-lhe as nádegas, e puxou-o para dentro, pedindo mais profundidade, mais entrega, mais sufoco.

Ele começou a bombar-lhe a boca com a mesma violência com que a penetrara. Os dedos enroscaram-se no cabelo dela, guiando o movimento, forçando o ritmo. Ela não hesitou. A língua dançava à volta da haste, os lábios apertavam a pele, os olhos fixos nos dele, molhados e desafiantes.

— Chupa — rosnou ele — chupa até não restar nada.

Ela chupou. Cada centímetro foi percorrido pela língua, cada veia foi sentida, cada pulsação foi saboreada. O gosto salgado e doce misturava-se com a saliva, e ela sentia o corpo dele tenso, a respiração a acelerar, os quadris a perderem o ritmo. Sabia que ele estava perto. E isso excitava-a ainda mais.

Mas ele recuou antes de chegar. A respiração ofegante, os olhos semicerrados. Ela lambeu os lábios, o batom desaparecido, os cantos da boca brilhantes. Não disse nada. Apenas abriu as pernas e levou a mão ao centro, os dedos a deslizarem sobre o clitóris inchado e molhado.

— Olha — disse ela, com a voz rouca — olha como eu me toco enquanto penso em ti.

Os dedos deslizaram em círculos lentos, depois rápidos, depois profundos. Ela enfiou dois dedos dentro de si, arqueou as costas, e deixou que ele visse cada movimento, cada contração, cada gota de prazer que escorria pelos seus dedos. Ele ficou imóvel, a assistir, o sexo duro e trémulo entre as pernas.

— Queres ver-me gozar? — perguntou ela, sem parar o movimento.

Ele não respondeu. Apenas se aproximou, ajoelhou-se entre as pernas dela, e afastou-lhe a mão. Substituiu os dedos dela pelos seus, entrou com dois, curvou-os para cima, encontrou o ponto que a fez gritar. O polegar pressionou o clitóris, e a outra mão apertou-lhe a coxa, abrindo-a ainda mais.

Ela começou a tremer. Os olhos reviraram, o peito arfou, as unhas cravaram-se no braço dele. O prazer subiu como uma maré que não pode ser contida, e ela deixou-se levar — o grito escapou-lhe rouco e longo, o corpo contraiu-se violentamente, os dedos dele continuaram a mexer-se durante todo o orgasmo, prolongando cada onda, cada espasmo, cada segundo de êxtase.

Quando ela finalmente acalmou, a respiração descontrolada, o suor a escorrer pela testa, ele retirou os dedos lentamente e levou-os à boca. Lambeu-os, sem pressa, os olhos fixos nos dela.

— Agora a minha vez — disse ele, e puxou-a para a borda da cama, deitando-a de lado, e entrou-lhe por trás com uma estocada única, seca, funda, que a fez arquejar.

Desta vez, não houve pausa. Não houve piedade. A fera tinha sido despertada e não ia parar até se saciar. Ele segurou o pescoço dela com uma mão, a outra apertou-lhe a anca, e o ritmo era tão veloz que a cama rangeu e a cabeceira bateu na parede.

Ela não se conteve. Os gemidos eram gritos abafados, o nome dele escapava-lhe em fragmentos, as mãos arranhavam os lençóis à procura de uma âncora que não existia. Ele sentiu o corpo dela contrair-se outra vez, outro gozo a aproximar-se, e acelerou ainda mais, querendo chegar ao mesmo tempo que ela.

— Vem — sussurrou ele, a voz partida — vem comigo.

Ela veio. E ele veio. Os corpos colidiram num último movimento desesperado, o líquido quente a jorrar dentro dela, os músculos a contraírem-se ao mesmo tempo, a respiração a falhar, a pele a arder. O silêncio depois foi total — apenas o som das respirações a acalmarem-se, das peles a separarem-se lentamente.

Ele deitou-se ao lado dela, ofegante, os olhos fixos no tecto. Ela virou-se para ele, a mão a descansar no peito dele, a sentir o coração a bater como um tambor.

— Ainda não acabou — disse ela, com um sorriso lento.

Ele olhou-a de lado e viu o brilho nos olhos dela. E soube que a noite ainda tinha muitas horas.






Cléia Fialho

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