Ele entrou no apartamento e ela já estava de joelhos.
Não fora combinado. Não era necessário. Era o lugar dela. O lugar que ela escolhia sempre que a fome apertava e a noite permitia. A saia preta subira até à anca. Os seios escapavam do sutiã. O cabelo caía sobre o rosto, mas não escondia os olhos. Os olhos estavam fixos naquele membro que ele ainda não desembainhara, mas que já adivinhava — duro, cheio, pronto.
Ele não falou. Não precisava. Fechou a porta, despiu o casaco, despiu a camisa. Depois parou diante dela, com a mão no cinto, a olhá-la como se medisse a profundidade do seu desejo.
— Abre a boca — ordenou. A voz arrastava-se, áspera e lenta.
Ela obedeceu. Os lábios entreabriram-se, a língua apareceu, húmida e exposta. Ele libertou o sexo da roupa e guiou-o até àquele espaço quente, sem pressa, fazendo-a sentir o peso antes do sabor. Ela enrolou a língua à volta da glande e ele fechou os olhos por um segundo — só um segundo. O suficiente para ela perceber que ele já não controlava tudo.
A boca dela deslizou sobre ele com uma cadência perfeita, sugando, apertando, alisando. As mãos dela subiram pelas coxas dele, os dedos a arranharem a pele enquanto a cabeça se movia para trás e para diante. Ele segurou o cabelo dela, guiando o ritmo, e sentiu o calor molhado a envolvê-lo por inteiro.
— Enfia — disse ele, com a respiração a falhar.
Ela obedeceu. A garganta abriu-se, os músculos relaxaram, e ela levou-o até ao fundo, até onde a saliva escorria e o ar faltava. Ficou ali, imóvel, a sentir a pulsação dele contra o fundo da garganta. Um momento de posse absoluta. Depois recuou, ofegante, o batom borrado, os olhos cheios de um brilho intenso e nítido.
— Não chegou — murmurou ela, e a voz estava rouca, trémula.
Ele riu baixinho, um riso que era também uma promessa.
— Eu sei.
Puxou-a pelo braço e atirou-a para a cama. Ela aterrou de bruços, os joelhos contraídos, a bunda erguida como uma oferenda. Ele ficou atrás dela, os dedos a deslizarem pela prega que separava as nádegas, a descerem até à entrada que ainda não fora tocada. Ela arrepiava-se toda quando ele tocava ali.
— Isto também — disse ele, e não era uma pergunta.
— Tudo — respondeu ela, a face enterrada no colchão.
Ele mergulhou os dedos no líquido que escorria da fenda dianteira, abundante e quente, e levou-o até ao cuzinho. A lubrificação natural escorreu pelos dedos, e ele pressionou com a ponta de um, sentindo a resistência ceder devagar, como uma fruta que se abre à pressão certa. Ela contraiu-se e relaxou, contraiu-se e relaxou, até que o dedo inteiro deslizou para dentro.
Ela gemeu contra o colchão. Não de dor — de espera. Sabia o que vinha.
Ele retirou o dedo e alinhou-se. O sexo erecto e duro pressionou a entrada apertada, e ele empurrou. Lentamente. Com a firmeza de quem não tem pressa mas não vai desistir. Ela arqueou as costas, arranhou os lençóis, e sentiu-o entrar — centímetro a centímetro, como se ele estivesse a desbravar um território que só ele conhecia.
Quando ele esteve completamente dentro, parou. Ela sentiu a plenitude, a pressão, a distensão que a enchia de um modo que nenhum outro toque conseguia. Ele esperou, deu-lhe tempo para se adaptar, para sentir o peso do corpo dele sobre o dela, a respiração quente na sua nuca.
— Anda — pediu ela, a voz abafada e gulosa.
Ele começou a mover-se. No início, os movimentos eram curtos e fundos, como quem explora cada centímetro. Mas rapidamente o ritmo ganhou velocidade, uma cadência brutal e precisa que fazia a cama gemer e os lençóis se desfazerem. Ela apertava os olhos e mordia o braço, mas os sons escapavam-lhe — gemidos roucos e prolongados que se misturavam com o som húmido da penetração.
Ele segurou os cabelos dela e puxou para trás, forçando-a a arquear ainda mais, a oferecer-se por inteiro. A outra mão desceu à frente, encontrando o ponto onde o clitóris pulsava, molhado e inchado, e começou a acariciá-lo com uma precisão que a fez estremecer.
— Não pares — sussurrou ela — não pares, não pares, não...
E ele não parou. Aumentou o ritmo, os quadris batendo contra as nádegas, a mão ainda a tocar-lhe a parte da frente, a respiração ofegante, o corpo todo concentrado naquela entrega dupla.
O gozo chegou como uma onda que não avisa. Primeiro, um tremor na barriga dela; depois, um arrepio que subiu da nuca até à ponta dos pés; depois, o grito — abafado, profundo, incontrolável. O corpo dela contraiu-se violentamente à volta dele, apertando-o como se quisesse prendê-lo para sempre.
Ele sentiu a pulsação daquele orgasmo e perdeu-se. Os movimentos tornaram-se desordenados, os músculos do abdómen contraíram-se, e o líquido quente jorrou dentro do cuzinho dela, preenchendo-a, escorrendo pelos bordos, a respiração dele a falhar. O corpo dele tombou sobre o dela e o silêncio encheu o quarto.
O silêncio, porém, não era vazio. Era cheio de suor, de peles coladas, de respirações a retomarem o fôlego. Ela sentiu o peso dele e não se importou. Queria aquela moleza, aquele cansaço que só o sexo violento trazia.
Quando ele finalmente se afastou, o movimento foi lento, quase relutante. Ela virou-se e viu-o deitado ao lado dela, olhando o tecto com uma expressão que ela conhecia bem — a expressão de quem fora arrebatado e não sabia como o admitir.
— Gostaste? — perguntou ele, a voz ainda rouca.
Ela riu baixinho, com um som grave que podia ser gozo ou cinismo.
— A pergunta certa é: vais repetir?
Ele virou a cabeça e olhou-a. Os olhos encontraram-se no escuro e, durante um longo segundo, ninguém respondeu.
Depois ele disse:
— Ainda não saí da cama.
Ela sorriu e abriu as pernas outra vez.
❦
Cléia Fialho

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