Nossos corpos encaixados, numa dança sem fim,
tu dentro de mim,
eu em volta de ti,
sem palavras,
e sussurros que mando para o teu ouvido
enquanto te puxo mais fundo,
enquanto as minhas unhas cravam tuas costas
e o lençol se torce entre os meus dedos.
O ritmo acelerado dos nossos corações
bate no peito,
bate no ventre,
traduz a intensidade desses momentos impuros
onde eu não sou santa,
sou tua,só tua,
aberta e molhada,
pedindo mais, e mais,
e o fim que nunca chega.
A escuridão do quarto só ouve o som da pele,
o embate das ancas,
o meu nome arrancado da tua boca
quando eu aperto e não solto.
Tuas mãos agarram minha cintura,
me puxam para o teu colapso,
e eu desço e subo
num vaivém que não tem compassos,
só o fogo que nos consome
e nos deixa, ainda assim, famintos.
❦
Cléia Fialho

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