Fluído denso que rasga o terreno,
força bruta que racha a rocha e me invade,
corrente sem freio, sem mapa, sem freio algum.
Minhas praias te esperam abertas,
famintas pelo teu embate.
Tu corres com garras de água e fogo,
preenchendo a terra seca até o transbordo,
devorando o silêncio com o estrondo da tua chegada.
Sou o abismo salgado que te acolhe e te engole,
o horizonte que te consome inteiro.
O teu Doce colide na minha carne de Sal,
um choque de correntes que incendeia a profundeza.
Nos afogamos no atrito das nossas próprias águas,
rasgando corais, gerando tempestades,
fundindo pele e maré num só vórtice.
Não és apenas correnteza,
és a cheia que devasta e reina.
Avança, rompe minhas contenções,
desagua em mim com toda a tua fúria.

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