Corpos que batem como ondas na tempestade,
o tecido da cortina cede, se desfaz entre os dedos,
não há espaço para o fardo dos segredos,
apenas a urgência cega, a pura voracidade.
Você me vira, me molda à tua fúria,
me prende contra a mesa onde o vidro se estilhaça,
copos caem, o chão é o rastro da luxúria,
enquanto o teu compasso brutal me devora e me caça.
Cada estocada é um golpe de maré alta,
um abalo que faz o quarto inteiro vibrar,
você é o carrasco e a salvação que me falta,
o bicho solto que me ensina a sangrar e a gozar.
Contra o espelho, a pele suada se cola,
o reflexo denuncia o pecado escancarado,
a visão da carne que queima e descontrola,
onde cada gemido nasce rouco, violento, rasgado.
Somos bicho, somos guerra, somos lava,
um encaixe selvagem que arrebenta a costura,
o prazer que range os dentes e escraviza,
na vertigem visceral dessa carne pura.


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