Na caótica da insensatez,
o pensamento perde o chão.
O certo se desfaz outra vez,
no vaivém da contradição.
como sombra sobre a mão.
A razão se despe,
sem máscara, sem proteção.
Deixa cair o que se sabe,
abandona a direção.
E fica nua, quase frágil,
exposta à própria ilusão.
Revelando a verdade que reside
no silêncio do que não se diz.
No gesto que o erro decide,
no sentir que foge do infeliz
onde a lógica não coincide
com o que pulsa e refaz, talvez feliz.
Nas entrelinhas da loucura,
vive um saber sem explicação.
Um sussurro de outra altura,
fora da regra e da razão.
E quem se entrega a essa fissura
descobre outra dimensão:
a verdade que se insinua.

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