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segunda-feira, 15 de junho de 2026

ENTRE VERSOS E DESEJOS




A noite desce lenta,
vestida de estrelas e silêncios,
enquanto a poesia desperta
na pele inquieta das palavras.

Os versos giram livres,
como mãos procurando abrigo,
como olhares que se reconhecem
antes mesmo do toque.

Há um perfume de desejo
escorrendo pelas entrelinhas,
uma chama suave
que dança sem pressa
na curva dos sentimentos.

Corpos imaginados se aproximam
no ritmo secreto da poesia,
e cada frase desenha
carícias invisíveis
sobre a memória do amor.

Sussurros passeiam pelo vento,
quase confissões,
quase pecado,
quase ternura demais
para caber no peito.

Então a poesia se despe
de toda timidez,
e permanece apenas a entrega:
dois corações ardendo
sob o mesmo céu,
na delicada vertigem
de serem desejo e verso
ao mesmo tempo.




Cléia Fialho

4 comentários:

  1. "Então a poesia se despe de toda timidez"
    Mais uma vez dás-nos um texto repleto de emoções que transbordam de paixão e sensualidade.
    Lindo!

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  2. Comecemos a leitura do poema pela cumplicidade da noite, pois é ela que monta o cenário ideal para a intimidade e a introspecção. É nesse ambiente que se percebe que a poesia não nasce da mente, mas "desperta na pele inquieta das palavras". Sob essa perspectiva metalinguística, os vocábulos ganham corpo, sensibilidade e desejo. Em seguida, os versos ganham movimento: eles giram e buscam abrigo, simulando o tatear de dois amantes no escuro. Essa dinâmica culmina em "olhares que se reconhecem antes mesmo do toque", revelando uma profunda conexão que funde o carnal ao espiritual por meio do fazer poético.
    Ao avançar na leitura, deparamo-nos com a força do não-dito: o "perfume de desejo escorrendo pelas entrelinhas" manifesta um erotismo sutil, alojado estritamente no plano do implícito. Logo depois, a imagem da chama que "dança sem pressa" reforça o tom de sedução, cujo foco reside no percurso sinuoso do sentimento, e não em sua resolução. Essa atmosfera abstrata prepara o terreno para o movimento seguinte do texto, no qual os corpos evocados são "imaginados". Essa projeção sugere um amor platônico ou ausente, manifestado como uma fantasia à distância ou uma lembrança viva. Nesse ponto, os enunciados transcendem a leitura convencional e desenham "carícias invisíveis sobre a memória", transmutando o ato de ler em uma experiência sensorial e física.
    E chegamos à progressão dramática que deságua na tensão suspensa do "quase". Através de recursos estilísticos como a anáfora e a gradação, o uso repetido do termo — quase confissões, quase pecado, quase ternura — constrói um forte conflito emocional e moral. Esse "quase" atua como uma barreira psicológica que impede a consumação física imediata, retendo a experiência no ápice da idealização. O sentimento, imenso, transborda o espaço físico do peito e necessita do papel para ganhar existência.
    Por fim, o poema atinge o seu ápice no desnudamento: a poesia "se despe de toda timidez", consolidando a ideia de que escrever e amar exigem vulnerabilidade total. No clímax dessa união perfeita, sob o mesmo céu, os amantes e os versos finalmente se fundem, transformados em "desejo e verso ao mesmo tempo.
    Um abraço,

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  3. La poesía es sentimientos y sueños Te mando un beso.

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  4. Un bello poema cargado de deseos que no se llevo el viento.

    Saludos.

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