Teus olhos são chama antiga,
brasa que me atravessa a roupa
antes ainda de a tirares,
lâmpada que sabe onde acender-me
No calor da brisa morna,
quero-te sempre por dentro,
enroscado nas minhas coxas,
pousado na minha boca,
demorado na curva do meu quadril
como quem não tem pressa nem destino.
Teu beijo é maré cheia,
salgado, obsceno, teimoso,
onde afogo o juízo
e nado sem saber para onde,
guiada só pelo instinto
de me perder até ao fim.
Na dança lenta do desejo,
que compassa quadril com quadril,
entrego-me sem pudor,
sem contrato, sem defesa,
com a boca aberta e a alma nua,
oferecendo-te o meu ventre
como um jardim proibido
onde só tu tens permissão de entrar.
❦
Cléia Fialho

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