TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

MORDENDO TEUS LÁBIOS



Chegas tarde 
— a maçaneta ainda gira,  
o batente range, e eu já te varro contra o reboco,  
teu sobretudo voa, tua nuca estala,  
e a minha boca te come como quem abre um soco.  

Não há licença, não há trégua, não há prece,  
é só a fome que acumulei por meses,  
teu cheiro de rua, de chuva, de ausência,  
e eu mordendo teus lábios como quem reconhece.  

Te empurro, te viro, te encosto no espelho,  
teu reflexo embaça com o meu hálito quente,  
eu rasgo o teu peito com os dentes 
— vermelho,  
e tu me atravessas, e eu grito, e a gente  
se desmancha em suor, em sal, em tremedeira,  
tua mão no meu cós, minha unha na tua costela,  
eu te cavalgo às cegas, na parede, na cadeira,  
e a casa inteira range 
— vela que se atropela.  

Teu desejo escorre pela minha espinha,  
eu te chamo de todas as sílabas sujas,  
tua respiração é uma lança que me pinha,  
e eu abro as pernas como quem abre bússolas.  

Te sinto crescer, te sinto subir, te sinto rachar,  
cada centímetro teu é um golpe que me dobra,  
eu te engulo inteiro, eu te bebo, sem ar,  
e o meu gozo é um nó que desaba e te sobra.  

Depois, quando o suor seca nos nossos ombros,  
e o teu peso ainda treme sobre o meu quadril,  
eu sinto o teu coração 
— dois tambores aos socos —  
e sei que o inferno é pouco perto do que eu senti.  

Não me beija, não me fala, não me limpa,  
só me deixa aqui, aberta, ofegante, viva,  
que eu ainda tenho o teu gosto na minha pinta,  
e a tua marca na coxa 
— e a noite inteira é minha.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

O AROMA DO QUERER


Nos desejos a flor da pele,  
 — surge um tremor, 
um sonho e um mistério,  
 — o que a alma, 
em segredo, cede,  
é o amor que embala fora do sério.  

Caminhos de luz, 
 — de sombra e de esperança,  
navegam entre risos e lágrimas,  
 — cada olhar, 
uma dança,  
tece laços que a vida consagra.  

No fresco amanhecer, 
 — o aroma do querer,  
tão doce e tão leve,  
se espalha no ar,  
 — invade a razão, 
tão breve,  
deixa marcas que não sei apagar.  

E nesta jornada de afetos e anseios,  
cada passo é um verso escondido.  
O tempo, 
 — com calma, entrelaça,  
os ecos de um amor vivido.  

Desejos, 
 — frutos de um coração ansioso,  
despertam em cada toque, 
 — em cada gesto,  
são as chamas que queimam, 
 — tão fogoso,  
mesmo quando o destino é incesto.  

E assim seguimos, 
 — polidos de anseios,  
a flor da pele, 
um poema sincero,  
na busca incessante de nós mesmos  
encontramos o amor, 
 — o eterno e o claro.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

O BECO DA MÁ FAMA


 
 Danielly perdeu o último ônibus para casa.
 O dia no trabalho não foi puxado e não querendo gastar em táxi, resolveu caminhar.
 Ao invés de ir por ruas mais seguras e bem iluminadas, resolveu cortar caminho pelo beco, apesar da "má fama" dele, isso lhe pouparia uns 20 minutos, e como nasceu e cresceu naquele lugar, não temeu muito!.
 Parou em frente à viela, olhou bem, notou que estava tudo tranquilo e seguiu...

Mal deu os primeiros passos e de sobressalto apareceram 3 homens à sua frente!
 Droga, mas que susto! Estava meio escuro, mas ela os podia ver e conhecia aqueles rapazes bonitos e sarados (de um "oi" aqui outro ali...).
 Eles a convidaram para ir á casa deles (ao lado) mas ela recusou dizendo que já estava tarde.
 Um deles aproximou-se e cheirou seus cabelos. Danielly sentiu o medo invadir-lhe o corpo, mas tentou manter-se calma.

 Tentou argumentar e quando viu estava completamente cercada pelos três homens grandões e fortes.
 Queria gritar mas não conseguia (ou não queria...!) Era um turbilhão de sentimentos e emoções inexplicáveis.
 Pois eles a estavam deixando acoada, mas de maneira muito sutil e envolvente.
 Teve a sensação de estar envolta à um polvo... eram mãos que a tocavam por todas as partes do corpo, que mesmo trêmulo, correspondia àquelas invasões.
 O silêncio foi quebrado por palavras obscenas, ela não reconhecia qual deles falava, apenas ouvia:
 - Sempre quis pegar essa vadia gostosa!
 - Essa safada já está toda molhadinha!
 - Vou comer todinha essa putinha!
 Sentiu suas roupas serem arrancadas aos poucos, um beijava-lhe a boca, outro já sugava-lhe os seios entumecidos, enquanto o outro... conduzia-lhe a cabeça em direção ao seu membro tremendamente rijo.

 Esquecendo-se que estava na rua, de pé e completamente nua, Danielly entregou-se à loucura desvairada, aos desejos daqueles três predadores que lhe atacavam ferozmente, porém com uma tamanha destreza, ora brutal, ora sensual!
 E ela dividia suas mãos e sua boca entre dois membros, enquanto de outra boca saia e entrava uma língua afiada de dentro de sua vulva quente.
 Danielly que estava em pé com a bunda empinada, deu um grito de dor e tesão ao sentir sua carne dilacerada por uma penetração forte e profunda.

E ela continuava chupando aqueles dois membros duros que só estavam à espera da sua vez, para desfrutar da sua fenda suculenta...
 Eles a conduziram para dentro do pátio da casa deles e a troca foi feita.
 Ela sentiu outro membro invadir suas entranhas tão eroticamente bárbaro como o primeiro.
 E ela obedeceu ao comando daquele que acabara de possuí-la dizendo:

 - Toma! Lambe todinho o seu gozo aqui...
 Só restava um que ainda não a havia comido...
 Foi quando ele deitou-se no chão da área ali mesmo e puxou-a para cima dele, fazendo-a cavalgar como uma potranca!
 Outro veio por trás e tentou penetrá-la, mas ela temendo não aguentar empurrou-lhe...
 Em meio à tantas ameaças sensuais, muitos beijos molhados, mordidas em seu pescoço, puxões de cabelos... ela acabou aos poucos cedendo.

Afinal eram "três" que queriam e iriam devorá-la de "todas" as maneiras possíveis e imagináveis.
 Foi a sensação mais prazerosa que Danielly já havia sentido. Ser penetrada por dois falos estupidamente duros, latejantes... que incessantemente saiam e entravam inteiramente na frente e atrás... enquanto seus gritos de dor e prazer eram engasgados por outro pênis que truculentava sua boca...
 Assim ela foi a barganha deles por horas...
 Foi a permuta deles noite à dentro...

 Sentindo-se um objeto sexual... usada e abusada... virada do avesso por aqueles animais...
 Todos estes sentimentos fizeram com que Danielly daquele momento em diante...
 Não se preocupasse mais em perder o último ônibus.
 Nem fizesse questão de gastar em táxi e muito menos andar pelas ruas mais seguras e iluminadas...
 Agora ela queria mesmo só entrar no beco da "má fama", pois lá ela conhecera o verdadeiro endereço do prazer!




  Cléia Fialho

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

TORNADO DA LUXÚRIA



A luxúria é vento furioso,
um redemoinho que arrasta tudo,
corpos girando em vertigem,
gemidos que se tornam tempestade.

Cada toque é sopro selvagem,
cada beijo, vendaval que rasga,
e não há abrigo possível,
pois o tornado da carne devora sem clemência.

Somos fragmentos no ar,
somos febre em rotação,
somos o caos que se multiplica
até que o mundo se dissolva em prazer.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

À VERTIGEM DA TUA APROXIMIDADE



Há algo feroz na sua presença,
algo que me chama para perto
e me deixa sem linguagem.
Teu calor me atravessa como um comando,
e eu me entrego
à vertigem da tua proximidade,
à precisão do teu desejo,
ao incêndio que se abre
quando teu corpo encontra o meu.

Desço a boca pelo teu pescoço
como quem segue uma corrente elétrica.
Sinto teu ventre suportar sob a mão,
sinto o teu fôlego mudando de ritmo,
sinto o instante inteiro se inclinar
para dentro desse excesso
que nos toma por completo.

Ajoelho-me diante da tua presença
como quem confirma um rito antigo.
Há em ti uma força que me chama
e me desmonta suavemente,
sem ruído, sem defesa, sem retorno.

Teu silêncio pesa sobre a pele
como uma ordem suave e absoluta.
E eu te provo aos poucos,
como se a saudade tivesse aprendido
o caminho exato da tua boca,
o mapa quente da tua respiração,
a febre escondida no teu jeito de ficar.

Teu gemido me atravessa
como se a noite abrisse uma fenda de fogo.
Teu corpo responde ao meu impulso
com uma tensão que vibra no ar,
e tudo ao redor perde forma,
perde nome,
perde medida.

Arraste os dedos por sua roupa
como quem desfaz um feitiço.
Cada botão cai com a delicadeza
de uma promessa realizada.
E quando a tua pele começa a aparecer
diante da minha fome,
o mundo se estreita,
o corredor desaparece,
e só resta esse claro
que cresce entre nós.

Te levo comigo para esse lugar sem volta
onde a vontade vira febre,
onde a pele vira fala,
onde cada gesto é um abalo
e cada silêncio, uma ameaça de mais.
E assim ficou,
entre o impulso e a rendição,
entre o toque e o delírio,
entre a chama e o que ela consome.




  Cléia Fialho

domingo, 26 de dezembro de 2021

A CHAMA DO DESEJO



A chama do desejo  
Arde entre os corpos,  
Desperta os segredos,  
E os sonhos mais loucos...

Palavras sussurradas,  
Como brisa no ouvido,  
Desnudam os anseios,  
Deixando-nos perdidos.

Teus dedos, um mapa,  
Exploram sem pressa,  
Deslizam pela pele,  
Em danças de promessa.

Cada toque, um eco,  
Um convite ao pecado,  
E o tempo se dissolve  
No prazer desenfreado.

Teus olhos, um convite,  
Um universo profundo,  
E ao me perder neles,  
Descubro outro mundo.

A noite se espraia,  
Entre gemidos e risos,  
E a paixão se revela  
Nos nossos improvisos.

E assim, entre sussurros,  
Nos entregamos, sem fim,  
Na dança dos corpos,  
Eu sou você, e você é eu... enfim.




  Cléia Fialho

sábado, 25 de dezembro de 2021

NUVENS DE TINTA



Nuvens de tinta 
dançam no mar
Peixes voam em 
cardumes de vento
O sol derrete 
em tons de luar
E a lua cintila 
num céu turbulento.

O tempo escorre
em relógios de areia líquida
Sonhos navegam
em barcos de pensamento
As estrelas sussurram
segredos à noite despida
E o silêncio pulsa
no coração do momento.

Entre brumas de sentidos
a realidade se dissolve
Versos nascem
do caos e do encanto
E a alma, livre,
no infinito se envolve
Tecendo poesia
no sopro do espanto.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

TRONO DA LUXÚRIA



A luxúria ergue seu trono em nossos corpos,
feito de gemidos, suor e vertigem.
Cada gesto é coroação,
cada beijo, decreto selvagem.

Sentados no poder da carne,
reinamos sobre o caos da noite,
onde não há súditos nem fronteiras,
apenas a febre que nos governa.

O trono da luxúria é eterno,
feito de fogo e entrega,
e nele somos reis e escravos,
devorados pelo próprio desejo.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

INVADE O MEU ABISMO




Não te concedo a trégua do repouso,
Pois trago a fome antiga engasgada;
De bruços mudo o rumo da jogada,
Erguendo as ancas num desejo ousado.

Contra o colchão empurro o corpo aceso,
Em ti cravando os dentes com crueza;
Invade o meu abismo, ó meu vício,
E verte em mim a tua correnteza.

Que o teu dilúvio quente me incendeie
E afogue a lucidez que nos restava,
Num espasmo cego que o lençol enleie.

Deixa teu selo estrito em minha pele,
Pois nesta noite a carne se consagra
No gozo eterno que me inunda as entranhas.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

ESPASMO QUE ARREBENTA



Retorno à tua boca com a garganta em brasa,
minha língua invade a tua como serpente faminta,
sugo teu fôlego como quem rouba um segredo doce,
mordo teus lábios até sentir o gosto ferroso do desejo.

Deslizo pelo teu pescoço com dentes impacientes,
marco tua clavícula com o carimbo úmido da minha boca,
minhas unhas riscam teu peito como raios sobre a pele,
tatuo teu corpo com beijos que ninguém apagará.

Percorro cada relevo teu, faminta, insaciável,
lambo o suor salgado que escorre entre teus músculos,
mordisco o teu ventre trêmulo, arrastando a língua,
desço mais, subo mais, te transformo em mapa profanado.

Tua mão me agarra com força de comando bruto,
ergue meus quadris como oferenda entregue ao altar,
sinto teus dedos cravarem-se na minha carne trêmula,
e eu me abro inteira, molhada, pronta para o teu assalto.

Entras em mim fundo, sem medo, sem hesitação,
rasgas meu silêncio com uma estocada rouca e certeira,
meu corpo arqueia, engole tua fúria centímetro a centímetro,
e eu grito o teu nome como quem invoca uma tempestade.

Me arremessas contra o colchão com fome antiga,
teus quadris batem nos meus num compasso selvagem,
os lençóis se enroscam nos nossos corpos suados,
e a cama range o hino cru do nosso desatino.

Me fazes gemer como bicho preso no cio,
gemidos que sobem pela garganta em ondas quentes,
imploro por mais, arranho tuas costas até sangrar,
e tu ris rouco no meu ouvido, sabendo que sou tua ruína.

Somos fera e fera, carne e carne, incêndio e incêndio,
gozamos juntos num espasmo que arrebenta o mundo,
e ainda ofegantes, com a pele em fogo e a alma tremendo,
já sinto de novo essa sede antiga, essa fome nova.




  Cléia Fialho

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

ABRAÇO SUFOCANTE



Sei que a proximidade
às vezes desfoca o olhar
e o peito se avoluma
querendo o mundo inteiro
num abraço sufocante.

Mas é aqui que te quero,
sinto a necessidade profunda
de te ter em mim,
como a seiva que corre,
como o ar que respiro.

E sei que lá longe
pairam sombras esquecidas,
rostos ausentes que se perdem
na bruma do tempo,
mas o meu plano é outro.

Vejo-te em zoom,
a tua imagem nítida,
o teu contorno preciso
que se recusa a desvanecer.

E a tua falta
é um vazio que dói,
uma saudade que se agarra,
uma ausência palpável
que me impede de te soltar.

Quero-te aqui,
bem perto,
onde a tua voz
se mistura com a minha,
onde os teus passos
ecoam nos meus.

Não quero largar mais
essa mão que me guia,
esse olhar que me acalma,
essa presença que me nutre.

Mesmo que o mundo
grite lá fora,
com os seus medos e as suas dores,
eu fecho os olhos
e encontro-te em mim,
mais vivo e presente
do que qualquer sombra ausente.

O teu toque é o meu porto,
o teu silêncio, a minha canção.
E neste espaço íntimo
onde o tempo se dilui,
eu sinto a certeza
de que é aqui o meu lugar,
contigo,
sempre contigo.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

NOSSOS GEMIDOS ECOAM



Nossos gemidos ecoam 
pela escuridão,
Como uma canção proibida 
que só nós conhecemos.
Somos artistas de nossa própria 
história sensual,
Criando um clima deleitoso 
que desafia a moral.

Cada verso é uma promessa 
de prazer indescritível,
Cada estrofe é uma explosão 
de emoção e êxtase.
Somos folhas em branco 
esperando serem preenchidas,
Com a tinta quente de nossos 
desejos mais profundos.




  Cléia Fialho

domingo, 19 de dezembro de 2021

TUA PRESENÇA É PERFUME


No sussurro do vento,  
as memórias dançam,  
 — teus olhos, 
 — dois oceanos,  
onde a luz serve de guia.  

Tua presença é perfume  
flutuando entre as sombras,  
um toque na pele  
que fala em silêncio.  

Os gestos são versos,  
um poema falado,  
 — e a brisa, 
 — cúmplice,  
carrega um segredo.  

As palavras se entrelaçam,  
como dedos entrelaçados,  
corações que pulsam  
num ritmo compassado.  

E no crepúsculo,  
com a luz a se apagar,  
canto a essência do calor  
que se revela em cada olhar.




  Cléia Fialho

sábado, 18 de dezembro de 2021

SENSAÇÕES E SUSPIROS


Na brisa leve da tarde,  
entre sombras e luz,  
sinto o sussurro do desejo adormecido,  
como a dança das folhas que embalam segredos.

Olhos que se encontram,  
sem promessas,  
mas com a força de mil sóis,  
resplandecem em silêncio no espaço entre nós,  
como estrelas que piscam.

O toque de uma mão que desliza na pele,  
 — um convite, 
 — um murmúrio,  
notas de uma canção que ecoam no peito,  
melodia do que ainda não foi.

Em cada respiração,  
um mundo se abre,  
 — tão pleno, 
 — tão vivo,  
 — e a alma, 
 — com sua leveza,  
desenha um mapa de sensações e suspiros.

E nesta dança sutil,  
onde o real se dissolve,  
 — fico a sonhar, 
 — e a sonhar,  
tecendo versos em nossa história,  
um poema que respira,  
 — sensual, 
 — pleno e livre.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

O AMOR É PELE


 

A noite não pede licença, apenas entra,
deslizando como seda sobre o calor.
Meus dedos traçam viagens na sua pele,
buscando o norte do seu desejo.

Sinta como a carne recorda o toque,
cada célula gritando por contato.
A respiração se entrelaça, pesada,
doce veneno que nos consome.

Não há palavras, só o suspiro,
o ar quente que nos envolve e prende.
O mundo lá fora deixa de existir,
ficamos apenas nós, carne e alma.

Africo-me em ti, lento e profundo,
descobrindo sabores de mel e sal.
Cada curva é um segredo revelado,
cada beijo, um novo ritual.

Deixa que o fogo consuma a razão,
que a pele seja o único idioma.
Neste instante, tudo é permitido,
tudo é profano e sagrado ao mesmo tempo.

Sua mão desce, lenta, devota,
acendendo faíscas na escuridão.
Eu me rendo à força bruta do prazer,
ao desejo que nasce e não tem fim.

Somos marés que se chocam e unem,
ondas que quebram na areia quente.
Não há amanhã, só este agora,
onde o amor é pele e é essência.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

BRILHO TÃO SINGULAR


Mas que dor carrega o amor sincero,  
Quando a saudade, 
qual sombra, 
 — insiste,  

Na ausência da luz que antes iluminava,  
E as memórias se fazem tortuosas,  
Vão e voltam, 
 — entre as folhas caídas,  
Num ciclo eterno de um reverenciar.  

Desejos a flor da pele tão vivos,  
Como as ondas em busca da areia,  
Por mais que o tempo contraia e expanda,  
Nada apaga o brilho tão singular,  
Um eco profundo que eternamente,  
Fica a ressoar nas veias do amar.  

E assim, em cada dia que amanhece,  
Eu guardo os desejos a flor da pele,  
Pois em cada batedeira do peito,  
Renasce a essência de quem eu sou,  
E mesmo entre risos e as dores,  
Serei sempre luz a navegar.




  Cléia Fialho