Não te concedo a trégua do repouso,
Pois trago a fome antiga engasgada;
De bruços mudo o rumo da jogada,
Erguendo as ancas num desejo ousado.
Contra o colchão empurro o corpo aceso,
Em ti cravando os dentes com crueza;
Invade o meu abismo, ó meu vício,
E verte em mim a tua correnteza.
Que o teu dilúvio quente me incendeie
E afogue a lucidez que nos restava,
Num espasmo cego que o lençol enleie.
Deixa teu selo estrito em minha pele,
Pois nesta noite a carne se consagra
No gozo eterno que me inunda as entranhas.
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