A luz ainda não passava da fresta — um fio pálido na parede, quase nada. Ela sentia-o dentro de si, duro, imóvel, o peso do corpo dele a ceder devagar sobre o seu ventre. Encostou os lábios ao ombro dele e sussurrou:
— Guardo-te dentro como quem colhe versos.
Ele tentou recuar, um movimento mínimo dos quadris, mas as coxas dela fecharam-se com força ao redor dele. Os músculos tensos cravaram-no no lugar. As unhas dela agarraram-lhe as omoplatas, a pele cedia sob a pressão.
A fresta de luz alargou-se na parede, um dedo de claridade a mais. Ela viu o tempo a mover-se e apertou as coxas com mais força ainda.
— Fecho as coxas para não te deixar sair.
Ela ergueu os quadris devagar, deixando-o quase sair — a glande repousava na entrada, o calor húmido a latejar contra os lábios. Ele arfou, as mãos calejadas a subirem-lhe pelas ancas. Ela mordeu o lábio inferior e desceu num só movimento, engolindo o membro inteiro, as paredes da vagina a apertarem-se ao redor da base.
— Escrevo-te no ventre — sussurrou, a voz trémula — poemas dispersos.
As mãos dele agarraram-lhe os quadris. Os dedos afundaram-se na carne macia, a pele branca a ceder sob a pressão. Ele gemeu, um som rouco e abafado contra o ombro dela. Ela recomeçou o movimento: subir até quase o perder, descer até o sentir a repartir-se lá no fundo. Os seios roçavam o peito dele, os mamilos duros a friccionarem a pele quente.
A fresta de luz cresceu e tocou o pé da cama, um aviso pálido. Ela apertou a vagina num espasmo involuntário ao redor do membro, sentindo cada veia, cada pulsação. Ele gemeu o nome dela.
— Sinto-te ainda em mim a repartir.
Ela deixou de recitar. As palavras partiram-se em sílabas soltas, sons que já não eram versos — apenas o ritmo do corpo a galgar o corpo dele. As coxas fechadas apertavam-lhe os quadris contra o colchão, e ela cavalgava-o com estocadas rápidas, a vagina a descer com força até a base do pau lhe bater nos lábios inchados. O som era molhado, um estalar repetido que enchia o quarto.
Ele arqueou as costas por baixo dela, as mãos calejadas a paralisarem-se nos quadris dela, os dedos cravados na carne como se tivessem esquecido como se movem. Ela sentiu-o a engrossar ainda mais dentro de si, o membro a pulsar contra as paredes da vagina.
A fresta de luz alastrou-se sobre o lençol, um lençol pálido que tocava agora a curva do joelho dele. Ela gemeu e acelerou, o clitóris a roçar os ossos pélvicos dele a cada impacto, a lubrificação a escorrer pelos sacos, quente e espessa. As coxas dela fecharam-se num espasmo incontrolável, esmagando-lhe os quadris contra a cama. Ele não podia sair. Ela não o deixava. O prazer subiu em ondas, uma atrás da outra, e os corpos sincronizaram-se num ritmo cego.
Ele arqueou as costas até quase se erguer do colchão e enterrou o membro até ao fundo. Ela sentiu o primeiro jacto quente a explodir contra o colo do útero, depois outro, e outro — o sémen a encher-lhe a vagina em golfadas que a faziam tremer.
A vagina contraiu-se em espasmos ao redor do membro, sugando-o para dentro, cada contração a puxar mais sémen. Ela soltou um gemido agudo e longo, a voz a quebrar-se no ar, o corpo a arquear-se para trás enquanto o orgasmo a percorria em choques elétricos. As mãos agarraram os lençóis em punhos cerrados, os nós dos dedos brancos.
A luz inundou o leito, quente e dourada, cobrindo-lhes os corpos nus. O sémen dele transbordou da vagina, espesso e leitoso, a escorrer pelas coxas dela em fios lentos que manchavam os lençóis revolvidos. Os corpos estremecem juntos, o membro ainda pulsando dentro dela, o sémen a escorrer pelas coxas.
O membro dele amolecia dentro dela, mas as coxas continuavam fechadas. O sémen ainda quente, retido, a escorrer devagar pela face interna das coxas. Ela não desapertava. Sentia-o a diminuir, a tornar-se macio, e mesmo assim mantinha-o preso — os músculos das coxas a tremer do esforço, a vagina ainda a latejar em pequenos espasmos ao redor da carne flácida.
— Fica — sussurrou ela, e não era um pedido.
A luz da fresta da janela alargava-se sobre o lençol, dourada e implacável, a marcar o avanço da manhã. Ela baixou os olhos para o próprio ventre, onde a pele ainda brilhava de suor, e começou a recitar. Os versos saíram baixos, arrastados, como se cada palavra custasse o peso de uma despedida. A mão dele pousou-lhe na anca, imóvel. Ele não tentou sair. Deixou-se reter, a respiração ainda rouca, os olhos pesados fixos no rosto dela.
Quando o último verso se calou, ele inclinou-se e beijou-lhe a testa. Os lábios demoraram-se na pele quente. Esperou.
As coxas dela abriram-se devagar, num abandono que doeu mais do que o aperto. O membro flácido escorregou para fora, e com ele o sémen — espesso, leitoso — a escorrer da vagina em fios lentos que manchavam os lençóis revolvidos. Ela virou o rosto para a parede. A luz do dia cobriu-lhe o ventre, iluminando as palavras que ele deixara escritas na pele com o suor e o sémen e o silêncio.

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