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segunda-feira, 14 de abril de 2014

TÃO TUA EM TI




A  luz da rua entrava pela janela e recortava o corpo dela na cama, um retângulo pálido sobre a curva da anca. Ele estava de pé à beira do colchão, os ombros largos contra a penumbra, e ela sentiu o peso do olhar dele antes mesmo de ouvir a voz.

— Vem.

Não era um pedido. Ela ergueu-se devagar, o cabelo escuro solto sobre os ombros, e foi ter com ele. As mãos dele fecharam-se na cintura dela por cima do tecido fino da camisola, os dedos a enterrarem-se na carne macia.

— Sou tão Tua em Ti tão Meu — murmurou ela, os olhos fundos cravados nos dele.

Ele puxou-a contra o peito. O calor do corpo dele atravessou o algodão e ela sentiu a rigidez das ancas dele a pressionar o ventre, dura e quente, uma fome que não pedia licença. A respiração dela partiu-se num soluço baixo.

Os lábios encontraram-se. A boca dele cobriu a dela com uma lentidão faminta, a língua a invadir-lhe a boca, quente e molhada. A saliva trocou-se entre as línguas, o ritmo lento mas carregado de fome, e ela gemeu contra os dentes dele enquanto as coxas lhe tremiam.

Ele afastou-se o suficiente para murmurar contra a boca dela:

— Vou fazer-te minha.

As mãos dele desceram para a barra da camisola.

As mãos dele puxaram a camisola sobre a cabeça dela num gesto seco, o algodão a roçar-lhe os mamilos já duros. Os seios nus ficaram expostos no retângulo de luz da rua, a carne pálida recortada contra a penumbra. Ele olhou-a em silêncio, a mandíbula endurecida. Ela deixou-se escorregar para o chão, os joelhos contra o soalho frio, e os lábios soberbos envolveram a glande quente. 

A saliva lambusou a pele tensa enquanto a língua rodeava a ponta inchada, lenta e reverente. Ele agarrou-lhe o cabelo escuro e puxou-a para cima, empurrando-a para a cama. Abriu-lhe as coxas com as mãos firmes e a língua dele lambusou a concha molhada, separando os grandes lábios. 

Ela gemeu, as coxas a tremerem. Os dedos dele entraram-na, dois, o líquido vaginal a lambusar-lhe os nós dos dedos enquanto a língua circundava o clítoris. Ela arqueou as costas e agarrou os lençóis.

Ele puxou-a para a beira da cama e virou-a de costas num só movimento. A luz da rua cortou-lhe a curva da anca, a carne nua a brilhar de suor. Ela sentiu a glande quente a pressionar a entrada e arqueou as costas. Ele enterrou-se de um golpe até ao fundo e ela gritou — um som rouco que lhe saiu da garganta sem pedir licença. O líquido vaginal lambusou a base do pénis, misturado com o pré-sémen que escorria pela fenda.

— Assim — murmurou ele, a mandíbula dura. — Assim é que eu te quero.

As estocadas vieram duras e rápidas, o ritmo implacável. A cada investida a base do pénis batia no clítoris e ela gemia alto, as coxas a tremerem descontroladas. O som da carne molhada enchia o quarto — chape, chape, chape — e o líquido dela escorria pela fenda, lambusando os testículos dele a cada impacto. Ele agarrou-lhe as ancas com os dedos a marcarem a pele e puxou-a contra si, o pénis a raspar a parede frontal da vagina.

— Vira-te — ordenou ele, com a voz baixa e rouca. — Monta-me.

Ela obedeceu, as pernas ainda a tremerem. Sentou-se sobre ele e deixou o pénis enterrar-se até ao fundo. As ancas dela rodaram, desceram, o líquido vaginal a lambusar a base grossa. Os seios saltavam ao ritmo das estocadas que ela impunha agora, o cabelo escuro a colar-se aos ombros. Ele levou o polegar ao clítoris e esfregou em círculos rápidos. A respiração dela partiu-se. A vagina apertou o pénis num espasmo.

— Vou-me — gemeu ela, a voz entrecortada. — Vou-me, vou-me…

O orgasmo rebentou. A vagina espasmou e apertou o pénis, o líquido a jorrar sobre a base e os testículos. Ela gritou, o corpo a tremer todo. Ele gemeu grave e as estocadas curtas bombaram o sémen contra o colo do útero, quente e fundo. O sémen transbordou e escorreu pela fenda. Os corpos colados, o sémen a escorrer, ela sussurrou «fodemos» contra o peito dele.

Ela deixou o corpo amolecer sobre o dele. Com um movimento lento, deslizou o pénis mole para fora e o sémen escorreu da vagina, quente e espesso, a descer-lhe pelas coxas. O líquido dela ainda brilhava na pele de ambos, misturado com o sémen que transbordara.

Tu puxou-a para o peito, os braços a envolverem-na com força. Beijou-lhe a testa, os lábios a pousarem na pele molhada de suor. Os corpos colados, o peito dele contra as costas dela, as respirações a abrandarem juntas. O suor colava as peles, os líquidos dos dois a secarem lentamente entre as coxas e sobre o ventre.

Ela fechou os olhos. Sentia o coração dele a bater contra as omoplatas, o calor do sémen a escorrer ainda, a posse consumada em cada poro.

— Fazer amor é a imensidão do sexo — sussurrou ela, a voz rouca e rendida.

Tu apertou-a contra si, a mandíbula ainda dura, as mãos a percorrerem-lhe as costas. Não respondeu com palavras. Só a prendeu mais fundo, os corpos a encaixarem-se como se fossem um só.

Ela fechou os olhos contra o peito dele, a luz da rua a recortar os dois corpos como um só.






Cléia Fialho

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