TOCA DA LEOA

SENSUALIDADE E EROTISMO À FLOR DA POESIA










quinta-feira, 20 de março de 2014

A CALIGRAFIA DO CORPO




A  boca encontrou a dela com fome antiga, os lábios a pressionarem-se num beijo que não pedia licença. A língua enrolou-se na sua, quente e insistente, e a saliva escorreu-lhe pelo queixo sem que nenhum dos dois se importasse. As mãos desceram-lhe pelas costas até encontrarem as nádegas, os dedos longos a afundarem-se na carne macia com a firmeza de quem já sabe exatamente onde apertar. 

Depois subiram devagar, percorrendo a coluna vértebra a vértebra como se cada osso fosse uma tecla de piano que os seus dedos conheciam de cor. Ela arqueou-se sob o toque, a respiração já falhada, e ele murmurou contra a sua boca que sabia aquele corpo de memória, que lhe conhecia cada curva, cada recuo, cada sítio onde a pele estremecia. Os dedos pararam na borda do sexo dela, sentindo o calor que irradiava da pele.

Os lábios desceram pelo pescoço dela, lambendo a pele salgada de suor, sentindo o pulsar acelerado sob a língua. Percorreu o esterno devagar, beijando cada centímetro até encontrar os seios. A boca envolveu o mamilo esquerdo, chupando-o com força, a língua a circundar a auréola até deixá-la brilhante de saliva. Ela gemeu, as costas a arquear-se, e ele passou ao outro seio com a mesma fome meticulosa. 

Depois desceu mais, a língua a traçar um caminho molhado pela barriga, contornando o umbigo, sentindo os músculos dela contraírem-se sob cada lambida. Os dedos abriram-lhe as coxas com suavidade, e a boca encontrou o sexo. A língua percorreu os grandes lábios de baixo para cima, num movimento lento e delirante, e o gosto a salgado único explodiu-lhe na boca. 

Ela soltou um gemido rouco e involuntário quando a língua alcançou o clitóris, lambendo-o em suave delicadeza, lambidelas lentas que a faziam tremer. As mãos dela agarraram-lhe os cabelos, os dedos a fecharem-se com força, empurrando-lhe a boca contra o sexo com urgência.

Os dedos longos deslizaram pela face interna da coxa dela, sentindo a pele quente e húmida de suor. A boca não abandonou o clitóris — a língua lambia-o em movimentos laterais rápidos, de um lado para o outro, enquanto a ponta dos dedos encontrava a entrada da vagina. Estava encharcada. Os fluidos escorriam-lhe pelos grandes lábios, e ele recolheu-os com a polpa dos dedos antes de os empurrar para dentro dela.

Dois dedos de uma só vez.

A Amante soltou um gemido rouco, as costas a arquear-se dos lençóis. Ele curvou os dedos para cima, procurando aquele ponto que conhecia de cor, e começou a bombear num ritmo rápido. Os fluidos vaginais lubrificavam-lhe os dedos, escorriam-lhe pela mão, pingavam para o períneo. A língua não parava — lambia o clitóris com movimentos laterais cada vez mais rápidos, a saliva a misturar-se com o gosto a salgado único que lhe enchia a boca.

Ela debateu-se sob ele.

Os quadris empurravam contra a sua cara, um ritmo descompassado e desesperado, o suor a escorrer pelas coxas que lhe apertavam as orelhas. Ele sentia os músculos dela a contraírem-se à volta dos dedos, a vagina a apertá-los em espasmos cada vez mais fortes. O polegar desceu até ao períneo e pressionou com firmeza, sincronizado com as bombadas dos dedos lá dentro.

— Assim... — ela arquejou, a voz a falhar num gemido. — Não pares...

Ele não parou. Os dedos tamborilavam dentro dela como se percorressem teclas de piano, cada curva, cada ponto de pressão uma nota que ele já sabia de cor. A língua lambia o clitóris sem tréguas, movimentos laterais rápidos que a faziam tremer dos pés à cabeça. Os quadris dela empurravam com mais força, o corpo a arquear-se, os dedos dela a puxarem-lhe os cabelos com violência.

O grito veio de repente.

Agudo, involuntário, rasgado da garganta. Os músculos vaginais apertaram-lhe os dedos em espasmos violentos, e ele sentiu os fluidos a jorrarem-lhe sobre a língua, sobre o queixo, quentes e abundantes. Ela gozava na sua boca, o corpo a sacudir-se em ondas, e ele lambeu tudo — cada jorro, cada gota, o salgado único que lhe escorria pela garganta.

A boca permaneceu colada ao sexo dela, lambendo os últimos espasmos do orgasmo enquanto a Amante respirava ofegante.

Ele subiu devagar. Os lábios pousaram na pele húmida do interior das coxas dela, beijos lentos que recolhiam o suor e os vestígios do prazer. Cada beijo era uma palavra que ele já sabia de cor, a caligrafia do corpo dela desenhada na sua boca. Subiu pelo ventre, os lábios a tocarem as sardas como se lesse braille, a língua a traçar o caminho entre as curvas suaves dos quadris. O corpo dela ainda tremia, pequenos espasmos que lhe percorriam os músculos.

Ela puxou-o para cima, as mãos nos ombros dele, e encontrou-lhe a boca. Beijou-o com a língua, provando-se a si mesma nos lábios dele — o salgado único que ainda lhe cobria o queixo e a boca. Gemeu dentro do beijo, os dedos a apertarem-lhe a nuca. — Prova-me — murmurou contra os lábios dele, a voz rouca e rendida. Ele deixou que a língua dela o lambesse, partilhando o gosto, a intimidade daquela degustação mútua.

Depois, enlaçaram-se. Os corpos colaram-se, peitos contra peito, as peles suadas e pegajosas a aderirem uma à outra. A respiração dele abrandou, sincronizada com a dela, os pulmões a encherem-se no mesmo ritmo. Os dedos dele voltaram a percorrer a pele da Amante como teclas de piano, agora num silêncio de repouso absoluto.




Cléia Fialho

Nenhum comentário:

Postar um comentário

❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA
❦ É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
❦ COMENTE! EU SUPER AMO!
❦ FIQUE À VONTADE PARA FAZER INTERAÇÕES NAS POESIAS ❦ SERÁ UM PRAZER COLOCÁ-LA JUNTO À MINHA
❦ VOLTE SEMPRE!

AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
💋 DA 🐾