A boca dela encontrou-lhe o pescoço e ele deixou de respirar. A língua arrastou-se da clavícula até à orelha, lenta, deixando um rasto de saliva que arrefeceu na pele antes que ela soprasse por cima. Ele estremeceu. As mãos fecharam-se em punhos contra o colchão.
Ela lambeu os lábios. Os dedos deslizaram pela testa dele e pousaram a venda escura sobre os olhos. O mundo apagou-se. Cada som ampliou-se — a respiração dela, o roçar do tecido, o latejar do próprio sangue nos ouvidos.
Os quadris dela rodaram contra a ereção dele, a vulva molhada esfregando-se pelas calças num ritmo preguiçoso. Ele arqueou-se, contorceu-se, a tesão a latejar contra o peso dela.
— Toma-me — implorou.
As mãos dela empurraram-lhe os ombros contra a cama. A boca desceu pelo peito, lambendo, mordendo, parando. Ele gemia, cego, os quadris a subir à procura dela.
Ela afastou os quadris e sussurrou "ainda não" contra a pele encharcada de suor dele.
As mãos dela agarraram-lhe as coxas e abriram-nas com força, os joelhos a pressionarem contra o colchão, expondo-o completamente. Ele sentiu o ar frio na pele molhada de suor, os testículos encolhidos, o pénis duro a pulsar contra o ventre. A venda escura mantinha-o cego, cada nervo concentrado no que viria a seguir.
Ela posicionou-se sobre ele. A ponta da vulva molhada roçou a glande e ele gemeu, os quadris a subir involuntariamente. Ela desceu. Devagar. A vagina quente engoliu-lhe o pénis centímetro a centímetro, uma estocada mansa que parecia durar uma eternidade. Três segundos. Quatro. Cinco. Até à base. Ele sentiu os lábios dela contra os testículos, o calor húmido a envolvê-lo por completo.
— Assim — murmurou ele, a voz rouca. — Assim, devagar.
Ela obedeceu. Os quadris subiram, o pénis a deslizar para fora, a glande quase a sair antes de descer outra vez. Lento. Profundo. Cada estocada durava três segundos, a fricção a arrancar-lhe gemidos que já não controlava. A vagina apertava-o na subida, soltava-o na descida, um ritmo que o fazia delirar.
— Fode-me — implorou ele, a vergonha dissolvida na escuridão da venda. — Fode-me como quiseres.
As mãos dela agarraram-lhe os pulsos e cravaram-nos contra o colchão. As unhas entraram-lhe na pele. Os quadris dela começaram a bater contra ele, estocadas rápidas, o pénis a entrar até ao fundo, os testículos a baterem contra a vulva molhada com um som húmido que enchia o quarto. O ritmo tornou-se furioso. Ela cavalgava-o com uma fome que o desfez, cada batida a arrancar-lhe um gemido mais alto, mais rouco, mais desesperado.
A boca dela caiu sobre a dele. A língua invadiu-o, quente e molhada, a saliva a misturar-se enquanto os gemidos de ambos se abafavam mutuamente. Ele chupou-lhe a língua, mordeu-lhe o lábio, os quadris a subirem para a encontrar a meio caminho. A vagina apertou-se em espasmos à volta do pénis, o líquido vaginal a escorrer pelos testículos, pelo lençol, quente e abundante.
— Vou-me vir — gemeu ele, o corpo a arquear-se.
O orgasmo rebentou. O sémen espesso jorrou em jatos dentro da vagina, um, dois, três espasmos que lhe roubaram o ar. O gemido escapou-se-lhe rouco pela garganta, o corpo a tremer, os pulsos ainda presos nas mãos dela. Ela apertou-se à volta dele, os espasmos da vagina a ordenharem-lhe o pénis, a espalmar o prazer no sexo dele enquanto gemia contra a boca dele.
— És meu — sussurrou ela, a voz trémula.
Os corpos ainda tremiam. Ela mordeu-lhe o ombro e sussurrou "meu" enquanto o último espasmo do orgasmo esvaziava o corpo dele.
A venda escura escorregou devagar dos olhos dele, o tecido húmido de suor a deslizar pela testa até cair na almofada. A luz pálida das persianas revelou o rosto dela pousado sobre o peito dele, os lábios carnudos entreabertos num sorriso satisfeito, os olhos ainda devoradores mas agora saciados. Ela respirou fundo, o hálito quente a espalhar-se pela pele molhada dele.
Os corpos ainda tremiam. Os espasmos pequenos percorriam as coxas dele, o ventre dela, os músculos que se recusavam a aquietar. O sémen e os líquidos vaginais misturavam-se num fio leitoso que escorria entre as coxas dela, quente e espesso.
Ela moveu os quadris devagar, um último roçar antes de erguer o corpo o suficiente para o pénis mole escorregar para fora da vagina. O som foi húmido, um pequeno estalar molhado que ecoou no quarto escuro. O sémen escorreu imediatamente da entrada, um fio branco que pingou no lençol já manchado.
Ela não se afastou. As mãos subiram pelo abdómen dele, as pontas dos dedos a traçar as linhas dos músculos ainda tensos, as palmas a espalmarem-se sobre o peito suado. As unhas arrastaram-se devagar pelos mamilos sensíveis, arrancando-lhe um arrepio que lhe percorreu a espinha. Ele gemeu baixinho, um som frágil e entregue.
— Sou teu — murmurou ele, a voz rouca e sem resquício de vergonha. As palavras saíram como uma verdade simples, um facto consumado que já não precisava de defesa.
Ela sorriu. Um sorriso lento, os lábios a curvarem-se enquanto os olhos o fitavam. Não respondeu com palavras. Apenas deixou que o sorriso dissesse tudo.
Os dedos dela entrelaçaram-se nos dele e ele fechou os olhos, finalmente possuído.
❦
Cléia Fialho

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