POR TRÁS DAS CORTINAS
A festa estava cheia. Gente a dançar, a beber, a rir. Mas eles não estavam na festa. Estavam no quarto ao lado, a porta entreaberta, os corpos colados contra a parede, a respiração ofegante.
Ela estava de costas para ele, a saia levantada, a calcinha caída nos tornozelos, as mãos apoiadas no batente da janela. A cortina corria, mas não fechava completamente. Quem passasse no corredor podia ver, se olhasse com atenção. E era isso que os excitava.
— Alguém pode ver-nos — sussurrou ela, a voz trémula.
— Eu sei — respondeu ele, e empurrou-a contra a parede.
Ele não usou os dedos. Não houve preliminares. Apenas a dureza do membro a pressionar a entrada molhada, a entrar com uma estocada única, funda e bruta. Ela mordeu o braço para não gritar, mas o som escapou-lhe, um gemido longo que se perdeu no barulho da música.
Ele começou a mover-se, os quadris a baterem contra as nádegas, o ritmo rápido e desesperado. A cada estocada, o corpo dela colidia com o batente da janela, a cortina abria-se um pouco mais, a luz do corredor entrava e iluminava a cena.
— Mais fundo — sussurrou ela, e ele obedeceu.
A mão dele tapou-lhe a boca, abafando os gemidos que se tornavam gritos. A outra mão desceu ao clitóris, a pressionar com a mesma violência com que a penetrava, os dedos molhados do líquido que escorria pelas coxas.
— Vais gozar — disse ele, a voz rouca — vais gozar e toda a gente vai ouvir.
Ela balançou a cabeça, mas não conseguiu negar. O gozo subiu como um incêndio, as pernas a tremerem, os dedos a arranharem a parede, os olhos a revirarem. Quando chegou, o grito escapou-lhe através da mão dele, um som abafado, longo e profundo.
Ele seguiu-a segundos depois, o líquido quente a jorrar dentro dela, os músculos contraídos, o corpo a tremer contra o dela.
Ficaram ali, ofegantes, a cortina a balançar, a festa a continuar do outro lado da porta. Quando ele finalmente se afastou, ela ajustou a saia, limpou os lábios e olhou para ele com um sorriso lento.
— Outra vez? — perguntou ela.
Ele olhou para a porta entreaberta e respondeu:
— Outra vez.

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