Quem acompanha minha história já sabe: a relação com ele chegou ao fim faz tempo. Já não existe o que existia antes, já não somos o que fomos um dia. Mas uma coisa permanece — o sexo ainda é bom. Quando acontece, claro.
Na quinta-feira, ele apareceu por aqui depois da aula. Acho que os dois sentiam falta daquele contato, daqueles carinhos que só a gente sabe dar.
Já era tarde quando ele chegou. Eu costumo dormir cedo e acordo antes do sol nascer, então já estava na cama, quase pegando no sono.
Ele tirou a calça e se deitou ao meu lado. No começo, foram apenas braços envolvendo meu corpo, beijinhos leves, uma troca silenciosa de afeto. Quase me deixei levar pelo sono — aconchegada contra ele, sentindo sua respiração no meu cabelo, seus lábios roçando minha pele macia.
Os beijos começaram no rosto. Depois deslizaram para o pescoço, para os ombros, criando um rastro de arrepios por todo o meu corpo. Quando chegaram aos meus lábios, já havia língua. E quando encontraram meus seios, meus mamilos já estavam durinhos, respondendo ao desejo que crescia entre nós.
A roupa foi desaparecendo aos poucos, sem pressa, sem palavras. Nenhum de nós precisava dizer nada — o corpo já falava por si.
O que começou suave se transformou rapidamente. Os beijos leves deram lugar a algo mais intenso, mais urgente. Uma fome que pedia para ser saciada.
Ele se deitou de costas. Eu me posicionei sobre ele, guiando seu corpo até o meu. Sua ereção entrou em mim sem resistência — dura, quente, pronta. Nossos corpos se encaixaram como se tivessem sido feitos um para o outro.
Amo essa posição. Amo ter o controle, ditar o ritmo, decidir quando acelerar e quando desacelerar. É como conduzir uma orquestra onde o prazer é a única música.
Quando me endireitei, arqueando as costas, deixei espaço para suas mãos encontrarem o caminho até meu grelinho. Seus dedos conheciam cada reação do meu corpo, cada ponto que me fazia gemer mais alto. Ele me estimulava enquanto eu me movia sobre ele, num ritmo que combinávamos sem precisar combinar nada.
Segurei o máximo que pude. Cada movimento me levava mais perto do limite, cada toque me aproximava da explosão. Até que não houve mais como segurar.
— Vem comigo — pedi, a voz saindo num fôlego rouco.
E ele veio.
Chegamos juntos. Ao mesmo tempo. Nossos corpos se contraíram numa sincronia perfeita, como se o prazer fosse uma onda que nos atravessava simultaneamente.
Foi uma explosão. Um orgasmo que parecia iluminar o quarto escuro, uma comunhão de prazer tão intensa que me fez esquecer por um instante que aquilo era apenas sexo.
É assim com ele. Sempre foi. Uma conexão física que eu nunca encontrei em mais ninguém.
E talvez nunca encontre de novo.
Ontem, ele me disse. Não com palavras, mas com o silêncio que ficou depois. Com a forma como se vestiu sem me olhar. Com o beijo frio na testa antes de sair.
Aparentemente, foi o fim.
Aparentemente, aquela noite — a noite em que ainda conseguimos sentir prazer juntos — foi a última.
Fico aqui, deitada, sentindo o cheiro dele no travesseiro, o calor que ainda insiste em ficar na pele. E penso em como as coisas terminam, mesmo quando a gente não quer. Em como o corpo ainda deseja o que a alma já deixou ir.
Foram bons. Foram intensos. Foram únicos.
Agora, resta apenas a lembrança.
E os beijos.
Os beijos de prazer que um dia existiram — e que, apesar de tudo, ainda valeram a pena.
❦
Cléia Fialho

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