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sábado, 19 de julho de 2014

A NOITE DOS PRAZERES INFINITOS




... de tudo o que sentimos, de tudo o que vivemos, de todas as vezes que nosso corpo se entregou ao outro naquela noite mágica.

O quarto era perfeito. A cama imensa, com lençóis claros e uma quantidade de almofadas que convidava ao descanso — ou a tudo menos isso. A janela aberta revelava um cenário de cartão-postal: o rio serpenteando sob a luz da lua, as luzes da cidade piscando como estrelas caídas, uma ponte iluminada que se estendia ao fundo, ligando duas margens como nós dois estávamos prestes a nos ligar.

Quando a porta se abriu, ele estava ali.

Magro como sempre, a barba por fazer dando-lhe um ar de quem acabou de acordar — ou de quem não dormiu pensando exatamente nesse momento. E nos olhos dele, uma fome que nenhuma palavra poderia descrever. O desejo transbordava por cada poro, cada linha do seu rosto, cada movimento dos seus dedos quando ele me puxou para si.

O abraço foi violento, mas não de força bruta. Foi violento de intensidade, de necessidade, de uma saudade que apertava os ossos. Nossos corpos se fundiram como se tentassem ocupar o mesmo espaço, como se houvesse uma urgência em se tornar um só que nenhuma distância poderia justificar.

As bocas se encontraram em seguida. Não houve beijo de boas-vindas, nem cumprimento educado. Foi um devorar mútuo, línguas que dançavam num ritmo frenético, respirações que se misturavam até não saber mais de quem era o ar que preenchia meus pulmões.

Não me lembro de como a roupa sumiu. Talvez tenha sido um truque da memória, uma licença poética que a vida nos concede nos momentos de êxtase. Num instante, estávamos vestidos, e no seguinte, completamente nus, entrelaçados naquela cama imensa, tão grudados que seria impossível dizer onde começava um e terminava o outro.

As mãos percorriam territórios conhecidos, mas com a ânsia de quem explora pela primeira vez. Cada toque era um reencontro, cada carícia uma confirmação de que a saudade era real, de que os dias distantes haviam deixado marcas que só poderiam ser curadas ali, naquela cama, naquela noite.

Eu queria sentir seu corpo dentro de mim. Queria aquele preenchimento que só ele sabia dar. Mas ele não permitiu — pelo menos, não ainda.

Com um gesto firme, deitou-me de barriga para cima e posicionou sua cabeça entre minhas pernas. Seus olhos encontraram os meus por um instante, e houve ali uma promessa silenciosa.

Sua boca começou seu trabalho. A língua explorava cada centímetro da minha intimidade como quem lê um livro sagrado, demorando-se em cada página, saboreando cada palavra. Entrava e saía, lambia e sugava, desvendava cada dobra, cada relevo do meu corpo com uma precisão que me tirava o fôlego.

— Vem-te — ele ordenou, a voz abafada contra minha pele. — Vem-te para mim.

E eu obedeci. Não houve resistência, não houve controle. O orgasmo tomou conta de mim como uma onda que não pede permissão para chegar, apenas chega e arrasta tudo.

Foi o primeiro.

Quando ele se deitou ao meu lado, ainda com o gosto de mim nos lábios, eu sabia que era minha vez de retribuir.

Sua ereção estava ali, pulsante, esperando. Levei-o à boca com a fome de quem esteve dias em jejum. Chupei, lambi, mordisquei com uma leveza que fazia o limite entre prazer e dor se confundir. Minha garganta acolhia cada centímetro, e eu ouvia sua respiração se alterar, seus gemidos escaparem entre dentes cerrados.

Cada vez que sentia que ele estava prestes a explodir, eu parava. Sopro suave, movimento lento, e recomeçava tudo de novo. Era uma tortura deliciosa, um jogo onde o prazer era a moeda e a paciência a regra.

Até que ele não aguentou mais. Sua voz surgiu rouca, implorando pelo fim daquela agonia gostosa — e eu cedi. Senti seu gosto se espalhar pela minha boca, quente e intenso, enquanto seu corpo se contraía todo.

Deitamos lado a lado, mãos dadas, olhos nos olhos. O silêncio era preenchido apenas por nossas respirações se acalmando, e a sensação de que tudo aquilo era um sonho do qual eu não queria acordar.

Mas as mãos dele continuavam ativas.

Deslizando pelo meu corpo, encontraram o caminho até meu ponto mais sensível. Seus dedos, que conheciam tão bem cada reação minha, começaram a estimular meu grelinho com uma precisão cirúrgica. Meu corpo respondeu antes mesmo que eu pudesse pensar, arqueando-se contra sua mão.

Dois dedos entraram em mim, encontrando aquele ponto interno que fazia meu cérebro se desligar. O orgasmo veio como um trovão — inesperado, avassalador, impossível de conter.

Poucas vezes senti algo tão intenso. O corpo parece se desprender da alma; não há controle, não há pensamento. Cada músculo, cada fibra, cada pedacinho de mim tremia numa sincronia perfeita de prazer absoluto.

E assim seguimos a noite.

Nossas mãos e bocas se alternavam num balé de prazer, sem pausas, sem descanso. Hora de frente, hora de costas, com ele dentro de mim fundo e forte, ou apenas parado, sentindo o calor do meu corpo apertá-lo. Cada posição era uma descoberta, cada movimento uma afirmação de que aquele momento era nosso.

Não sei quantas vezes cheguei ao ápice. Perdi a conta depois do décimo, depois do vigésimo. Para as mãos dele, para sua boca, para seu corpo dentro do meu — cada orgasmo era único, e eu me entregava a cada um como se fosse o primeiro.

Por fim, depois de me possuir por trás, com meu corpo arqueado como ele gosta, deitei-me de barriga para cima, pernas abertas, completamente entregue.

— Quero-te em mim — pedi, a voz quase um sussurro. — O mais possível.

Ele obedeceu. E seu corpo respondeu com um jato perfeito que se espalhou pelo meu peito, minha barriga, minha intimidade — uma marca quente e úmida de que aquela noite realmente aconteceu.

Foi uma noite digna dos filmes mais ousados. Da literatura mais explícita. Dos sonhos mais molhados.

Mas não era filme, nem livro, nem sonho.

Era real.

Era nosso.






Cléia Fialho

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