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segunda-feira, 28 de julho de 2014

EXTREMAMENTE BOM!





A manhã começou diferente. Uma mensagem rápida, um tom de voz cansado ao telefone, e eu soube que ele não estava bem. Uma constipação, talvez. Ou algo parecido. Não pensei duas vezes.

Peguei a bolsa, a chave do carro, e fui.

Quando cheguei, encontrei-o deitado na cama, coberto até o queixo, o rosto marcado pelo cansaço e um leve rubor de febre nos olhos. Parecia frágil, quase vulnerável. Algo naquele homem doente despertou em mim um instinto que eu mesma não esperava.

Deitei-me ao seu lado. Não com segundas intenções. Apenas para aquecer, para oferecer colo, para espantar aquela gripe com carinho. Meus braços envolveram seu corpo, minhas mãos percorreram suas costas com gestos suaves. Beijinhos aqui e ali, na testa, nas bochechas, no ombro.

Apenas isso. Cuidado. Nada mais.

Mas ele começou a retribuir. Os beijos que me dava tinham outra temperatura. Outra textura. Outra intenção. Não eram beijos de quem está doente e quer descansar. Eram beijos de quem quer mais. Muito mais.

Nossas línguas se encontraram e foi como se um interruptor tivesse sido acionado. A febre dele se misturou com a minha. O desejo cresceu rápido, silencioso, devorador. Nós nos beijamos como se não houvesse amanhã, como se a doença fosse uma desculpa para nos entregarmos sem culpa.

Foi então que tive uma ideia.

Uma ideia que não costuma me visitar com frequência. Algo que eu nunca havia feito antes. Talvez tenha sido o ar de fragilidade dele, ou a maneira como seus olhos me pediam algo sem dizer uma palavra. Sei lá.

Levantei-me devagar. Afastei-me da cama com passos calculados, enquanto ele me observava, confuso, sentado na cama sem saber o que esperar. Coloquei-me aos pés da cama e o olhei nos olhos.

Ele não esperava o que veio a seguir.

Comecei a dançar.

Não uma dança qualquer. Uma dança lenta, deliberada, feita para ser vista. Feita para provocar. Feita para queimar.

A primeira peça de roupa caiu. Meus dedos percorreram minha própria pele, traçando caminhos imaginários, provocando arrepios onde eu mesma tocava. Eu lambi meus próprios dedos enquanto mantinha contato visual com ele, sentindo cada olhar fixo em mim. Outra peça foi embora. Depois mais uma. Meu corpo foi se revelando aos poucos, como se eu estivesse desembrulhando um presente que era ao mesmo tempo meu e dele.

Ele estava ofegante. Seus olhos brilhavam com um fogo que não era febre. Mas quando ele tentou se levantar para vir até mim, coloquei a mão no ar, impedindo.

— Não. Fica aí. Só olha.

Ele obedeceu. Claro que obedeceu.

Continuei a dança. Cada movimento era um convite. Cada gesto, uma promessa. Eu mesma me toquei sem pudor, deslizando as mãos por onde sabia que ele gostava, pela barriga, pelos seios, descendo lentamente até onde o desejo já era quase insuportável.

Então parei.

Coloquei uma perna sobre a cama, abrindo-me completamente para ele. Não havia pressa. Não havia vergonha. Apenas uma exposição total, sem véus, sem defesas. Minhas mãos continuavam o trabalho que eu mesma havia começado, e ele via tudo. Cada movimento. Cada reação. Cada gota de prazer que eu própria extraía de mim.

O ar no quarto ficou pesado. O som dos seus suspiros era a única música que precisávamos.

— Agora — sussurrei — eu vou montar você.

Não esperei resposta. Subi nele.

Sentei-me sobre seu corpo com a confiança de quem sabe exatamente o que quer. Encaixei-me nele e comecei a me mover. Não no ritmo dele. No meu. Devagar no começo, sentindo cada centímetro, cada pulsação. Depois mais rápido, mais selvagem, sem permissão nem aprovação.

Eu estava no controle. E era exatamente assim que eu queria.

Deitei-me para trás, apoiando as mãos nas coxas dele, arqueando o corpo para que ele pudesse ver tudo. Minha mão encontrou o caminho e eu comecei a tocar onde sabia que isso nos levaria mais longe. Ele gemia baixinho, palavras soltas, sem sentido. Seu corpo tremia sob o meu.

— Olha — eu disse, com a voz firme. — Olha o que você faz comigo.

Ele olhava. Não desviava os olhos.

Chegamos juntos. Ou quase. Foi uma sincronia perfeita, um clímax que nos pegou desprevenidos, que nos arrancou suspiros profundos, que nos deixou ofegantes e suados.

Quando tudo acabou, ainda estávamos unidos. Seu rosto, antes marcado pela gripe, agora estava transformado. Cansado, mas feliz. Doente, mas pleno.

Eu deslizei para o lado e me aninhei nos braços dele. O suor ainda cobria nossos corpos. A respiração, aos poucos, voltava ao normal.

— Você ficou louca — ele murmurou, com um sorriso mole.

— Você gostou — respondi, sem dúvida.

Ele riu baixinho. Depois me puxou para mais perto.

A gripe ainda estava lá. A febre, também. Mas eu sabia que algo tinha mudado naquela noite. Não é todo dia que a gente se descobre de um jeito novo, que a gente se entrega e se domina ao mesmo tempo.

Naquele quarto escuro, naquela cama que já não era mais de doente, eu entendi que o desejo não pede licença. Não espera o momento certo. Não se importa se é dia ou noite, se está frio ou calor, se o corpo está saudável ou fragilizado.

O desejo só quer ser sentido.

E ali, naquele instante, ele foi sentido. Em todas as suas formas. Na dança. No olhar. No controle. Na entrega.

Duro! E muito duro... e extremamente bom!






Cléia Fialho

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