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quarta-feira, 16 de julho de 2014

ENTREGA TOTAL




O jantar estava quase pronto quando a campainha tocou. Não esperava visita naquela hora — muito menos ele. Ainda vestia a roupa do treino, suada e desalinhada, e nem tinha tomado banho, guardando esse momento para mais tarde, antes de dormir.

Quando abri a porta, ele estava lá, com aquele sorriso que sempre me desarma. Envolveu-me num abraço que apertou cada pedaço de mim, e eu senti o calor do seu corpo contra o meu, mesmo através dos tecidos. Riram-se os dois — ele da minha aparência desleixada, eu da surpresa de vê-lo ali.

O abraço demorou mais do que o normal. E quando ele se afastou, seus olhos já tinham mudado.

Os beijos começaram leves. Uma carícia rápida nas bochechas. Depois desceram para o pescoço, onde sua boca ficou mais tempo, sentindo cada batida da minha pulsação. A nuca foi a próxima — beijos molhados e demorados que me fizeram fechar os olhos. E por fim, os lábios encontraram os meus.

Não eram beijos apressados. Eram doces, pequenos, quase inocentes. Mas por trás de cada um, eu sentia alguma coisa crescendo. Um desejo silencioso que ganhava força a cada toque.

A comida podia esperar. Ele tinha que voltar para as aulas, mas nada disso importava agora.

Deslizamos do sofá para o chão. Fazia tempo que não usávamos a carpete macia da sala, e a sensação do pelo roçando minha pele nua era um prazer à parte. As roupas foram sumindo aos poucos — uma peça aqui, outra ali, até que não restasse nada entre nós.

Nus, deitados naquela superfície felpuda, começamos a nos explorar como quem redescobre um território conhecido. Nossas bocas percorriam cada curva, cada relevo do corpo do outro. Havia fome nos nossos gestos, mas também havia calma — a certeza de que o tempo era nosso.

Ali, na carpete da sala, ambos queríamos a mesma coisa: dar prazer e receber. Nossos corpos se entrelaçavam num jogo de mãos, bocas e línguas que não tinha vencedores, apenas participantes ávidos por mais.

Minha boca encontrou o caminho até sua ereção, enquanto sua língua desbravava meu corpo em direção oposta. Era uma dança sincronizada — eu sentia cada movimento dele como se fosse meu, cada toque ecoando em ondas de prazer que atravessavam minha pele.

Sua boca chegou ao seu destino primeiro. Sentia sua língua explorando cada dobra, cada centímetro de mim, num ritmo que me fazia perder a noção do tempo. Eu retribuía com a mesma intensidade, sentindo sua pele quente contra meus lábios, sua respiração mudar a cada movimento meu.

Ele me fez chegar ao ápice uma vez enquanto me devorava. Meu corpo tremeu inteiro contra a carpete, mas ele pediu — num murmúrio rouco e quase inaudível — que eu não deixasse que ele se perdesse dentro da minha boca.

Continuei. Cada movimento meu era mais lento, mais demorado, como quem prolonga um prazer que não quer ver terminar. E enquanto isso, suas mãos e sua boca continuavam a me dar mais, sempre mais, até que eu mal conseguia pensar.

Foi então que sua voz surgiu, grave e molhada de desejo:

— Vira-te. Mostra esse teu cu lindo para mim.

A obediência veio imediata, como um reflexo. Meu corpo ainda vibrava com os orgasmos anteriores, a pele quente, a respiração ofegante. Virei-me de joelhos, apoiei o peito na carpete e arqueei as costas, oferecendo-lhe cada centímetro de mim.

Adoro essa posição. A sensação de estar exposta, vulnerável, completamente entregue. Meu quadril erguido, minhas pernas abertas, minha intimidade toda à mostra — molhada, inchada, pulsando com o desejo que ainda não estava satisfeito.

Ele entrou em mim com uma profundidade que me fez prender a respiração. Cada movimento era uma afirmação, cada estocada me levava mais longe. Suas mãos encontraram minhas nádegas, e as palmadas que se seguiram foram perfeitas — um estalo que ecoava no silêncio da sala, acompanhado por um arrepio que percorria minha espinha.

— Não espera — pedi, a voz abafada contra a carpete. — Dá-me esse teu leitinho.

Não era um pedido. Era uma ordem.

E ele obedeceu.

Para minha surpresa, senti o líquido quente escorrendo pelas minhas costas, descendo lentamente pela curva das minhas nádegas, escorrendo até minha intimidade. Ele gosta de se vir em mim, e eu adoro essa sensação — o calor do seu prazer contra minha pele, a marca do seu desejo escorrendo por mim.

Ficamos assim, imóveis, por alguns segundos. A respiração pesada, o corpo trêmulo, a sensação de ter sido completamente tomada.

O banho veio em seguida, claro. A água quente lavou o suor e os vestígios do que fizemos, mas não lavou a memória daquela noite. O jantar, coitado, foi parar no micro-ondas, e eu comi sozinha, ainda com um sorriso nos lábios.

Valeu cada segundo de atraso.

Valeu cada pedaço de comida requentada.

Valeu a pena, mais do que qualquer jantar poderia valer.






Cléia Fialho

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